A recente decisão do ministro Flávio Dino, que permitiu a veiculação nas redes sociais de postagens insinuando que o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, poderia retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, reacendeu as tensões no Supremo Tribunal Federal (STF). A medida surge em um contexto de rivalidade interna, agravada pela tentativa de André Mendonça de investigar Alexandre de Moraes no início do mês.
A decisão de Dino anulou uma liminar emitida por Mendonça no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que havia acatado um pedido de Flávio Bolsonaro para remover conteúdos considerados ofensivos a símbolos católicos, os quais sua campanha classificou como “fake news”. Contudo, na noite de segunda-feira (28), o ministro Luiz Fux suspendeu os efeitos da decisão de Dino.
Esta nova reviravolta na crise do STF se deu, novamente, pela maneira como a decisão foi tomada. Normalmente, decisões individuais no TSE são contestadas por meio de recursos internos antes de se chegar ao STF. No entanto, Dino agiu de forma monocrática, antes que o plenário do TSE se pronunciasse sobre o caso, gerando descontentamento entre os ministros.
A defesa de Flávio Bolsonaro rapidamente reagiu, pedindo a Fux que revertesse a decisão de Dino e restabelecesse a ordem de Mendonça. Fux acatou o pedido, reafirmando a competência do TSE para lidar com questões eleitorais e desinformação.
Além disso, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, expressou em ofício sua preocupação com o que chamou de “risco de captura institucional”, alertando para a possível subordinação do TSE a decisões individuais do STF. Ele pediu que os pedidos ao Supremo sejam filtrados para evitar decisões que possam desestabilizar o processo eleitoral.
Dino, por sua vez, solicitou que sua decisão sobre a Padroeira fosse levada a deliberação colegiada, reconhecendo a necessidade de um debate mais amplo sobre o assunto. Ele argumentou que sua decisão estava embasada na proteção da liberdade de expressão e religiosa.
Enquanto isso, a disputa eleitoral se intensifica, e Flávio Dino já concentra em seu gabinete outras investigações que podem impactar a candidatura de Flávio Bolsonaro, incluindo apurações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que homenageia o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A situação no STF, marcada por conflitos internos e decisões polêmicas, indica que a crise institucional pode se agravar à medida que as eleições se aproximam, refletindo um clima de crescente tensão entre os membros da Corte.
Fonte: Gazeta Do Povo.








