Um relatório elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e encaminhado à Polícia Federal em fevereiro de 2023 revelou uma movimentação financeira atípica de R$ 57,1 milhões na conta da Igreja Batista da Lagoinha, situada no bairro Belvedere, em Belo Horizonte. Os dados, que abrangem o período de dezembro de 2024 a dezembro de 2025, foram considerados discrepantes em relação ao faturamento anual estimado da instituição, que gira em torno de R$ 950 mil.
As investigações indicam que a conta foi utilizada por Fabiano Zettel, um pastor afastado e cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As autoridades suspeitam que a estrutura da igreja pode ter sido usada como um meio para disfarçar a origem e o destino dos recursos financeiros, o que, segundo o Coaf, sugere uma tentativa de ocultar a identidade dos responsáveis pelas transações.
O relatório detalha que a conta no Banco do Brasil registrou aproximadamente R$ 28,4 milhões em créditos e R$ 28,6 milhões em débitos. Somente os valores recebidos pela unidade em Belo Horizonte equivalem a cerca de 30 vezes o faturamento anual estimado da instituição religiosa. Entre os principais destinos dos recursos, estão repasses de R$ 4,9 milhões para construtoras e incorporadoras.
Além de Zettel, que foi preso em março durante a segunda fase da operação Compliance Zero e movimentou R$ 19,2 milhões, outros nomes também foram citados no relatório. Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, fez quatro depósitos que somam R$ 120 mil, e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado como associado a uma milícia privada, realizou 11 depósitos totalizando R$ 22 mil.
A Lagoinha Global, rede à qual a unidade Belvedere pertencia até seu fechamento em março de 2026, esclareceu que a administração local tinha autonomia financeira. A instituição afirmou que, na época, foi informado que os valores captados por Zettel seriam utilizados para obras e melhorias na estrutura da igreja.
A Lagoinha Global também declarou que não tinha conhecimento da magnitude das movimentações financeiras e que as reformas realizadas eram visíveis. Assim que as denúncias relacionadas ao Banco Master vieram à tona, Zettel foi afastado de suas funções pastorais. A rede enfatizou que repudia práticas ilícitas e apoia a investigação minuciosa por parte das autoridades competentes. Até o momento, a defesa de Fabiano Zettel não se manifestou sobre as acusações.
Fonte: Folha Gospel.