Um mês após a série de terremotos que deixou milhares de mortos e afetou dezenas de milhares de venezuelanos, a Igreja Católica reafirmou que permanecerá ao lado dos sobreviventes durante todo o processo de reconstrução. A promessa foi feita pelo padre Ricardo Guillén, vigário episcopal para o ministério pastoral da Arquidiocese de Caracas, em entrevista concedida em 30 de julho de 2026 ao escritório de imprensa arquidiocesano.
Segundo o sacerdote, a ação da Igreja tem se sustentado em três pilares: presença física, escuta ativa e caridade organizada. “Nossa prioridade imediata foi estar presente onde o sofrimento era mais agudo; aparecemos e compartilhamos de perto a vulnerabilidade de nosso povo”, afirmou.
Nas primeiras horas após os tremores, religiosos e leigos voluntários se deslocaram para as áreas mais críticas, avaliaram os danos e ofereceram apoio especial em necrotérios, hospitais e cemitérios de Caracas e La Guaira. Além do amparo espiritual, os fiéis receberam o conforto dos sacramentos em altares improvisados em praças, parques e campos esportivos.
Guillén destacou que o trabalho de acolhida incluiu abraços, preces coletivas e silêncio respeitoso ao lado das famílias enlutadas. “Levar graça e conforto a lugares onde o sofrimento reinava foi prova viva de que Deus nunca nos abandona”, ressaltou.
Para o vigário episcopal, a tragédia evidenciou a “profunda vocação de serviço e solidariedade” da população, especialmente entre os mais jovens. Ele enfatizou, entretanto, a necessidade de fortalecer a Cáritas como “verdadeira rede de solidariedade capaz de alcançar até as áreas mais remotas” do país em futuras emergências.
“Não estamos nos retirando agora que a fase imediata da emergência terminou; estaremos lá para o longo caminho de reconstrução da sociedade e da cura integral da vida de nosso povo”, garantiu o sacerdote.
Com informações de Gazeta do Povo