O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou, na noite de 25 de julho, um artigo no Washington Post com duras críticas às novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros e sem citar o recente veto de vistos a dois enviados do Departamento de Estado norte-americano.
Tarifas sob fogo
No texto, Lula classificou como “erro estratégico” a sobretaxa de 25% que passou a valer em 22 de julho e a elevação adicional de 12,5% anunciada no dia seguinte. Segundo ele, as medidas colocam Brasil e Turquia entre os países mais taxados por Washington, atrás apenas da China, embora os EUA tenham registrado superavit comercial de US$ 428 bilhões com o Brasil em bens e serviços nos últimos 15 anos.
Para o presidente, as tarifas distorcem cadeias globais de suprimentos integradas e “encarecem alimentos, calçados, têxteis, móveis e autopeças” para o consumidor norte-americano, setores que dependem de insumos brasileiros.
“Ninguém nos derrotará com mentiras”
Lula também retomou a primeira rodada de tarifas, de 50%, imposta no ano anterior. Ele afirmou que a carta justificativa citava o ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado em 2025 por tentativa de golpe e atualmente em prisão domiciliar —, o que, segundo Lula, evidencia motivação política.
No artigo, a frase “Ninguém vai nos derrotar com mentiras” é direcionada a Marco Rubio, secretário de Estado do governo Donald Trump. O presidente brasileiro declarou que tentativas de “impor restrições ideológicas” ou “instrumentalizar a parceria bilateral para fins eleitorais” não prosperarão.
Crime organizado e cooperação hemisférica
O chefe do Executivo defendeu uma agenda comum baseada em investimento, comércio e combate ao crime organizado, apontando essa cooperação como “prioridade indispensável” no continente. Ele ressaltou que, para o Brasil, a única guerra necessária é contra “a fome, a pobreza e a desigualdade”.
A referência ocorre após a decisão dos EUA de classificar as principais facções do narcotráfico brasileiro como organizações terroristas estrangeiras, medida criticada por Lula por considerar que os grupos têm fins lucrativos, e não políticos.
Recado final a Washington
Lula encerrou o artigo afirmando que a América Latina precisa de parceiros comerciais, não de demonstrações militares nem protecionistas. Disse ainda que o Brasil está disposto a manter “diálogo aberto e construtivo” com Washington, mas ressaltou que “o destino do Brasil cabe somente aos brasileiros”, mensagem que ecoa a recusa recente de vistos para emissários norte-americanos encarregados de avaliar o sistema eleitoral brasileiro.
Com informações de Gazeta do Povo