E7442C86FCBF891E007D063FE7FD2E3D
Home / Internacional / Freira nigeriana relata pânico após ser detida pela imigração a caminho da missa no Texas

Freira nigeriana relata pânico após ser detida pela imigração a caminho da missa no Texas

ocrente 1784925543
Spread the love

McAllen (Texas) – A irmã Leticia Ugboaja, religiosa das Filhas de Maria Mãe da Misericórdia e enfermeira há mais de dez anos no sul do Texas, descreveu nesta quinta-feira (23) o “estresse, a ansiedade e o medo” vividos após ter sido detida por agentes da Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) em 28 de junho, enquanto caminhava para a missa na Igreja Nossa Senhora das Dores.

Em coletiva de imprensa, a freira nigeriana afirmou que os dois agentes estavam armados e a abordaram “numa manhã comum de domingo”, quando levava apenas “o rosário, a chave e o telefone”. “Eu estava com muito medo, suando frio”, relatou. Segundo ela, o pedido para participar da celebração e receber a comunhão antes de qualquer procedimento foi recusado.

Status migratório indefinido

O advogado Carlos Garcia informou que, em 2019, um juiz de imigração negou o asilo de Ugboaja, mas concedeu proteção contra sua deportação para a Nigéria com base na Convenção da ONU contra a Tortura, reconhecendo risco de maus-tratos caso retorne ao país de origem. Apesar da proteção, a religiosa permanece tecnicamente sob ordem final de remoção.

Garcia destacou que a cliente “nunca perdeu uma consulta de imigração” e possui autorização válida para trabalhar nos Estados Unidos. Segundo ele, a detenção para possível envio a um “terceiro país” causa perplexidade e está sendo contestada em diversos tribunais federais.

Possível nova detenção

Ugboaja tem nova audiência de verificação marcada para 28 de julho. O defensor teme que ela possa ser novamente presa ou submetida ao uso de tornozeleira eletrônica. “Ela não quebrou nenhuma regra, não representa perigo e dedicou uma década de serviços de enfermagem ao país”, afirmou.

Fiscalização intensificada

O caso ocorreu em meio ao aumento das ações de fiscalização migratória do governo federal, inclusive nas proximidades de locais de culto. A libertação da freira, no mesmo dia da prisão, contou com a intervenção do deputado Henry Cuellar, que acionou o Departamento de Segurança Interna e o coordenador da fronteira.

Ao comentar a própria situação, a religiosa destacou que muitas outras pessoas com proteção semelhante “definham” sem visibilidade. “Peço apenas que, antes de alguém ser levado sob custódia, tenha oportunidade de ser ouvido”, disse.

Com informações de Gazeta do Povo