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PF apura se verba de filme sobre Bolsonaro financiou estadia de Eduardo nos EUA

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Brasília – A Polícia Federal abriu inquérito para averiguar se parte do dinheiro destinado ao longa-metragem “Dark Horse”, que relata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi usada para custear a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.

A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão de 24 de julho de 2026, após solicitação da PF respaldada por parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Transferências sob suspeita

Um dos focos do inquérito é um repasse de R$ 61 milhões atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master. Segundo a PF, o valor integra um investimento total de R$ 134 milhões na produção cinematográfica e teria sido transferido pela empresa Entre Investimentos e Participações para um fundo sediado no Texas, supostamente controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

Os investigadores pretendem verificar se os recursos foram aplicados no filme ou desviados para outras finalidades, incluindo:

  • custeio da estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA, para onde ele se mudou em 2025 alegando perseguição política do ministro Alexandre de Moraes;
  • possível indicação de emendas parlamentares de aliados a entidades ligadas à produtora;
  • eventual utilização do dinheiro em ações de apoiadores de Bolsonaro junto ao governo do então presidente Donald Trump.

Posicionamentos

Eduardo Bolsonaro nega ter recebido qualquer quantia ligada à obra e responde no STF a uma ação por suposta coação, sob relatoria de Moraes. Já o irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teria cobrado o pagamento das parcelas, classificou como “falsa” a suspeita de repasse para Eduardo. Em nota, Flávio afirmou que os aportes foram destinados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.

Em maio, o senador disse ter solicitado à produtora a prestação de contas para comprovar a aplicação integral dos valores no filme, mas o detalhamento ainda não foi apresentado.

Tramitação no STF

O caso também foi alvo de representação apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), porém a Procuradoria-Geral da República opinou pelo arquivamento. Em junho, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, designou Mendonça como relator do processo.

Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, defendeu a abertura do inquérito ao argumentar que é preciso esclarecer “todas as circunstâncias” envolvendo as transferências financeiras ligadas ao filme.

Não há prazo definido para a conclusão das diligências.

Com informações de Gazeta do Povo