Buenos Aires / Londres – O avanço do projeto Sea Lion, que prevê investir US$ 2 bilhões na extração de óleo e gás a partir de 2028 nas Ilhas Malvinas, voltou a tensionar as relações entre Argentina e Reino Unido.
O que está em jogo
Localizado a 480 km da costa da Patagônia, o campo Sea Lion pode produzir 50 mil barris por dia até 2032. Estimativas indicam que a receita gerada pode triplicar o Produto Interno Bruto do arquipélago. Segundo projeções, impostos e royalties proporcionariam o equivalente a 80 mil libras anuais para cada um dos cerca de 3.500 habitantes.
Reação argentina
O presidente Javier Milei classificou a exploração como “unilateral e ilegítima”. Amparado em resolução da ONU de 1976, que recomenda a não alteração do status das ilhas enquanto a disputa de soberania não for resolvida, o governo argentino promete intensificar a pressão diplomática para barrar o empreendimento.
Posicionamento britânico
Londres sustenta que a decisão partiu da população local, apelando ao princípio de autodeterminação dos povos. Para o Reino Unido, apoiar o projeto atende ao direito dos moradores de gerir seus próprios recursos naturais e também ajuda a compensar a queda de produção no Mar do Norte, área tradicional de extração britânica pressionada por metas ambientais cada vez mais rigorosas.
Impactos na defesa das ilhas
Parte da renda prevista será destinada pelo governo local ao financiamento da defesa do território, inclusive à manutenção de tropas britânicas estacionadas na região.
Com o início das perfurações previsto para 2028, o Sea Lion permanece no centro de uma disputa de soberania que permanece sem solução definitiva desde o conflito de 1982.
Com informações de Gazeta do Povo