Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) mataram a tiros dois imigrantes em um intervalo de seis dias, nos estados do Maine e do Texas, durante operações realizadas em julho de 2026. Os episódios provocaram protestos de líderes católicos e abriram uma série de investigações sobre o uso de força letal por parte da agência federal.
Quem eram as vítimas
Os mortos foram o colombiano Johan Sebastián Durán Guerrero, 26 anos, baleado em 13 de julho em South Portland, no Maine, e o mexicano Lorenzo Salgado Araujo, 52, atingido em 7 de julho em Houston, Texas. Ambos deixaram filhos pequenos. Paróquias locais organizam assistência pastoral e apoio jurídico às famílias que permaneceram nos Estados Unidos.
Como ocorreram as abordagens
Segundo o ICE, Durán tentou fugir de uma “vigilância direcionada” em seu veículo, enquanto Salgado teria jogado a caminhonete contra um agente durante uma tentativa de prisão. Familiares e testemunhas contestam as versões oficiais, alegando que nenhum dos homens representava ameaça que justificasse disparos de arma de fogo.
Ausência de câmeras corporais
Nenhum dos agentes envolvidos portava câmera corporal. No Maine, o equipamento ainda não é adotado como padrão pela unidade local. No Texas, o Departamento de Segurança Interna atribuiu a falta do dispositivo a cortes recentes de verba federal, o que dificulta a verificação independente dos fatos.
Reação da Igreja Católica
Bispos das dioceses afetadas pediram reformas profundas na política migratória. O arcebispo de Austin, Dom Joe Vásquez, defendeu uma aplicação da lei “mais humana e proporcional”, afirmando que tanto imigrantes quanto autoridades devem ser tratados com respeito à dignidade de cada pessoa.
Inquéritos em andamento
As mortes são analisadas por departamentos de polícia locais, procuradorias-gerais estaduais, FBI e Departamento de Segurança Interna. Os agentes que atiraram foram afastados administrativamente. Organizações de direitos dos imigrantes exigem a divulgação de imagens de câmeras de segurança privadas que possam esclarecer as circunstâncias dos disparos.
As investigações não têm prazo definido para conclusão.
Com informações de Gazeta do Povo