Brasília – A Polícia Federal estima que o material recolhido até agora na Operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025, pode sustentar entre 50 e 60 etapas adicionais de investigação sobre o colapso do Banco Master. Apesar de indícios envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, não há, no momento, qualquer movimento para apurar integrantes da Corte.
Rombo bancário recorde
Considerado o maior escândalo do sistema financeiro nacional, o caso gerou um prejuízo calculado em cerca de R$ 52 bilhões após a liquidação extrajudicial do Banco Master e de instituições do mesmo conglomerado, como Will Bank e Banco Pleno. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) assumiu a perda, comprometendo quase metade de seus recursos e levando bancos públicos e privados a discutir formas de recompor o caixa do fundo.
Volume de provas
Nas dez primeiras fases, a PF apreendeu milhares de documentos, relatórios impressos, planilhas, cerca de 120 dispositivos eletrônicos e grande quantidade de arquivos em nuvem. Segundo investigadores, apenas 15 % a 20 % desse acervo foi analisado. A corporação já trata a investigação como uma das maiores ações anticorrupção e de lavagem de dinheiro de sua história, podendo estender-se até 2027.
Próximos alvos
As próximas etapas devem focar operadores financeiros, empresários, fundos de previdência estaduais e municipais, empresas de fachada e estruturas de desinformação. Senadores como Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA) já foram atingidos, assim como quatro membros da família Vorcaro – entre eles o próprio Daniel, o pai Henrique, o primo Felipe e o cunhado Fabiano Zettel, todos presos.
Eleições não travam operação
Fontes da PF afirmam que o calendário eleitoral de 2026 não interromperá o avanço das investigações; ao contrário, fases podem ser intensificadas. A legislação veda a prisão de candidatos nos 15 dias que antecedem o pleito, salvo em flagrante ou por crime inafiançável, mas não impede buscas, quebras de sigilo ou bloqueios de bens.
Em 3 de julho, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, reforçou que operações continuarão normalmente no período eleitoral: “O investigador não pode cruzar os braços porque há eleição”, disse, sem citar o caso Master.
Aval das instâncias superiores
Cada nova fase precisa da autorização do ministro André Mendonça, relator do inquérito no STF, que consulta a Procuradoria-Geral da República antes de decidir sobre mandados de busca, apreensão ou prisão. Até agora, não há pedido para investigar magistrados do Supremo, embora documentos sugiram possíveis ligações com o ex-banqueiro.
A PF segue cruzando dados e realizando perícias que devem embasar futuras etapas da Compliance Zero, previstas para os próximos meses.
Com informações de Gazeta do Povo