Brasília — 17 de julho de 2026. A carta divulgada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sustentando a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) detonou uma ofensiva interna para alinhar lideranças do Partido Liberal e vozes da direita em torno de um único nome contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026.
Aliados do senador interpretaram o documento como um chamado à coesão após a pesquisa Genial/Quaest, publicada em 15 de julho, indicar queda nas intenções de voto de Flávio. No recorte da “direita não bolsonarista”, o apoio a ele caiu de 84% para 74% entre março e julho. Entre eleitores independentes, o índice recuou de 32% para 27%, enquanto Lula avançou de 27% para 40% nesse grupo. Mesmo no núcleo bolsonarista houve redução de 96% para 91%.
O levantamento ouviu 2.004 eleitores de 10 a 13 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais e 95% de confiança, registrado no TSE sob o número BR-07181/2026.
Aliados reforçam mensagem
Após a divulgação, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que Bolsonaro já havia cobrado “união e maturidade”. O coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), publicou “Juntos pelo Brasil. Flávio Bolsonaro presidente”. Marcos Pollon (PL-MS) declarou ser “preciso respeitar o que diz o meu líder” e Mário Frias (PL-SP) ressaltou que a carta “não deixa espaço para dúvidas”.
A queda de Flávio ocorre em meio a episódios que desgastaram sua imagem: o conflito público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no fim de junho e a revelação da busca de recursos com o banqueiro Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
Reação no STF
Dois dias depois da leitura pública da carta numa transmissão ao vivo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio ao pai, alegando possível propaganda eleitoral antecipada e envio do caso ao Ministério Público Eleitoral. Moraes ainda solicitou que a Procuradoria-Geral da República se manifeste em até cinco dias sobre eventual descumprimento de medidas cautelares pelo ex-presidente, que está proibido de usar redes sociais.
A defesa de Jair Bolsonaro, representada pelos advogados Celso Vilardi e Paulo Bueno, respondeu que o ex-mandatário “jamais soube” que a carta seria divulgada e que cumpre “rigorosamente” a prisão domiciliar.
Análise de especialistas
Para o cientista político Hilton Fernandes, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, o desgaste provocado pelo caso “Dark Horse” afetou a credibilidade do senador. Beto Vasques, da mesma instituição, atribui o recuo à sequência de fatos negativos, incluindo o “tarifaço” e o atrito com Michelle. Já Jairo Pimentel avalia que o principal desafio é reconquistar o eleitorado de centro-direita sem perder o núcleo bolsonarista.
Dentro do PL, prevalece a leitura de que a carta atingiu seu objetivo imediato: consolidar Flávio como o nome escolhido por Jair Bolsonaro e elevar o custo político de eventuais divisões no campo conservador.
Com informações de Gazeta do Povo