Brasília — O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou nesta quinta-feira (16) que o novo aumento tarifário de 25% anunciado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros decorre do “incômodo” do governo norte-americano diante da recusa do Brasil em atender às exigências apresentadas pela administração do presidente Donald Trump.
A sobretaxa foi confirmada na noite anterior e começará a valer em 22 de julho. Vieira falou no Palácio Itamaraty após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ministros Dario Durigan (Fazenda), Miriam Belchior (Casa Civil) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio).
Pressão por “capitulação”, diz chanceler
Segundo o ministro, Washington “exigia uma capitulação” ao propor a abertura “total, irrestrita e exclusiva” de setores da economia brasileira sem contrapartida. “O que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações”, afirmou.
Vieira informou que, desde antes do primeiro tarifaço de 50% imposto no ano passado, ocorreram mais de 30 encontros presenciais, virtuais e telefônicos com autoridades dos EUA — 11 deles diretamente com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o representante de Comércio, Jamieson Greer. Houve ainda conversas entre Lula e Trump.
Investigação da Seção 301
O chefe do Itamaraty lembrou que a investigação norte-americana foi aberta em 15 de julho de 2025 sob a Seção 301, instrumento unilateral dos EUA. “Não há justificativa para a adoção de tarifas contra os produtos brasileiros. Apesar da motivação política, o governo brasileiro participou ativamente da investigação”, disse.
Escalada após carta de Trump
Vieira atribuiu o agravamento da crise a uma carta enviada por Trump a Lula em 9 de julho de 2025, que relacionava o primeiro tarifaço à suposta tentativa de interferir no Poder Judiciário brasileiro durante o processo que investiga o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Críticas a declaração de Rubio
O ministro também reagiu a uma postagem de Marco Rubio nas redes sociais, na qual o secretário afirmou que Lula colocara “seu ego à frente” de um acordo comercial. “As declarações são inaceitáveis e ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro”, declarou.
Uma nova coletiva com os ministros que participaram da reunião está marcada para a tarde desta quinta-feira, quando o Planalto deve detalhar medidas de apoio à indústria nacional e os próximos passos das tratativas com Washington.
Com informações de Gazeta do Povo