Nairóbi (Quênia) – O bispo Hieronymus Emusugut Joya, responsável pela Diocese Católica de Maralal, anunciou a suspensão de sete padres e estabeleceu novas regras disciplinares para o clero local. As determinações constam de carta pastoral datada de 12 de julho e divulgada em 16 de julho de 2026.
Suspensões imediatas
Com base nos cânones 1336 §1-4 e 1281 §3 do Código de Direito Canônico, o bispo afastou os padres Paul Maina, Peter Musau, Stephen Lekasuyan, Peter Nderitu, Christopher Letikirich, John Dida e Jonathan Namoni. Segundo Joya, as suspensões – em vigor desde 10 de julho – permanecerão válidas “até que sejam resolvidas questões de abuso de poder eclesiástico, negligência administrativa e má gestão dos bens temporais da Igreja”.
Novas obrigações para o clero
Entre as medidas de responsabilização, fundamentadas no cânon 277 §3, destacam-se:
- Presença obrigatória dos padres em seus presbitérios antes das 19h para as orações da noite;
- Proibição de pernoite fora da residência sacerdotal sem autorização expressa do bispo;
- Vedação à permanência ou pernoite de leigos nas casas paroquiais ou em conventos sem consentimento episcopal;
- Proibição do consumo de álcool em bares e de participar de celebrações litúrgicas embriagado ou em ressaca;
- Impedimento de envolvimento em negócios privados alheios às atividades da Igreja e de aquisição de bens sem justificativa adequada;
- Proibição de coabitar ou manter relacionamento íntimo com pessoas de qualquer sexo.
As regras também reforçam procedimentos para administração financeira de paróquias e instituições, exigem conselhos econômicos atuantes, orçamentos e auditorias anuais, além de disciplinar o uso de veículos diocesanos e o cumprimento das legislações canônica e civil.
Contexto da decisão
Joya, missionário queniano do Instituto dos Missionários da Consolata, assumiu a diocese em outubro de 2022. Na carta de quatro páginas, ele relata ter encontrado “múltiplos problemas” financeiros, administrativos e pastorais. Desde então, promoveu auditorias, reestruturações e o pagamento de dívidas, além de captar, segundo ele, “centenas de milhões de xelins quenianos” em doações e subsídios.
O bispo respondeu a críticas sobre pedidos frequentes de recursos e suposta omissão diante de conduta inadequada de clérigos. “Nunca responsabilizo um padre sem informações confiáveis”, escreveu, acrescentando que só tomou as medidas após reunir dados suficientes sobre os casos.
Nomeações e pedido de oração
Além das suspensões, a carta anuncia cinco novas nomeações sacerdotais para paróquias, centros pastorais e o apostolado de mídia da diocese. Joya concluiu pedindo aos fieis que rezem pelos padres afastados e por seu ministério “neste esforço para salvar a diocese dos desafios que enfrenta”.
Com informações de Gazeta do Povo