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Brasil reagirá a sobretaxa de 25% imposta pelos EUA e aponta “colaboração” da família Bolsonaro

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Brasília – 16 de julho de 2026. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que acionará imediatamente a Lei de Reciprocidade para aplicar medidas equivalentes contra os Estados Unidos, após Washington comunicar, na quarta-feira (15), a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho.

“Marco lastimável” nas relações bilaterais

Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto, a medida norte-americana foi classificada como “marco lastimável” no relacionamento entre os dois países. O comunicado reafirma que o Brasil “não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio”, mas garante que manteve “presença contínua à mesa de negociação” para defender interesses nacionais.

Acusações à família Bolsonaro

O texto oficial atribui parte da responsabilidade pelo desfecho às “ações eleitoreiras” da família Bolsonaro, acusada de colaborar com autoridades dos EUA durante a investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana. “Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições”, diz o governo, chamando os ex-aliados de “falsos patriotas”.

Pré-candidato do PL ao Planalto, o senador Flávio Bolsonaro pediu, em 7 de julho, o adiamento das tarifas durante audiência pública no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Segundo ele, a punição adiantada “beneficiaria Lula nas eleições” e atingiria quem “suportou as consequências” das práticas investigadas.

Críticas de autoridades norte-americanas

Pouco depois do anúncio brasileiro, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que Lula “colocou seu ego à frente de um acordo que beneficiaria o povo brasileiro”. Jamieson Greer, chefe do USTR, alegou à CNN que faltou empenho de Brasília para avançar nas negociações sobre etanol e propriedade intelectual.

Prazos e exceções da nova tarifa

Conforme as regras publicadas por Washington, apenas mercadorias já em trânsito e que cheguem aos portos americanos até 29 de julho ficarão livres da sobretaxa. Uma lista limitada de produtos, como café e ferro-gusa, permanecerá isenta para evitar impactos internos na economia dos EUA.

Próximos passos do Brasil

Além das medidas de reciprocidade, o Itamaraty informou que questionará a legalidade das tarifas na Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo também reforçará o Plano Brasil Soberano para proteger setores atingidos, mencionando avanços recentes do Mercosul em acordos com União Europeia, Singapura e Associação Europeia de Livre Comércio.

As sobretaxas americanas entram em vigor no dia 22 de julho.

Com informações de Gazeta do Povo