WASHINGTON – O governo dos Estados Unidos oficializou na noite desta quarta-feira (15) uma sobretaxa de 25% sobre determinados produtos brasileiros, concluindo investigação aberta em 2025 sobre supostas práticas comerciais injustas do Brasil.
O presidente Donald Trump aprovou o resultado do inquérito conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o chefe do USTR, Jamieson Greer, houve “falta de empenho” de Brasília para melhorar a relação bilateral.
A relação dos itens que sofrerão o novo imposto será publicada ainda hoje no Federal Register, equivalente ao Diário Oficial norte-americano. Greer advertiu que, caso o Brasil adote medidas de retaliação, Washington “reverá suas ações”.
Mais cedo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o Planalto estuda aplicar a lei da reciprocidade contra os EUA.
Investigação citou Pix e pirataria
Iniciada em 15 de julho de 2025, a apuração do USTR mencionou o sistema de pagamentos Pix, decisões judiciais brasileiras que atingiram empresas americanas e a venda de produtos falsificados na Rua 25 de Março, em São Paulo, como evidências de ambiente desfavorável aos EUA. À época, Washington chegou a elevar tarifas de importação do Brasil a 50% em caráter provisório.
Greer afirmou ainda que Brasília teria oferecido condições mais vantajosas a México e Índia, deixando de estender o mesmo tratamento a Washington.
Segundo processo pode elevar pressão
O Planalto aguarda o desfecho de outra investigação do USTR que propõe sobretaxa de 12,5% sobre mercadorias de vários países, inclusive o Brasil, por supostas falhas no combate a produtos fabricados com trabalho forçado.
A tensão comercial intensificou-se após carta divulgada por Trump em 2025, na qual o republicano acusou o Brasil de “ataques contínuos” a empresas digitais dos EUA e críticas ao Supremo Tribunal Federal por medidas que, segundo ele, ferem a liberdade de expressão.
Com o anúncio desta quarta-feira, a relação bilateral permanece sob incerteza enquanto os dois governos avaliam próximos passos.
Com informações de Gazeta do Povo