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Moro vê “falta de proporcionalidade” e compara restrições a Bolsonaro com visitas concedidas a Lula

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Brasília — 13 de julho de 2026. O senador Sergio Moro (PL-PR) criticou nesta segunda-feira (13) a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar.

Em publicações nas redes sociais, Moro alegou “falta de proporcionalidade e legalidade” na medida e recordou o período em que Luiz Inácio Lula da Silva permaneceu detido em Curitiba, em 2018, com direito a visitas frequentes, entrevistas e troca de correspondências.

“Nunca cogitei cercear o direito de visita ou de correspondência de Lula. Já Bolsonaro agora não pode mais receber visitas de seu filho”, escreveu o parlamentar.

Oposição fala em “silenciamento”

O coordenador da pré-campanha de Jair Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), classificou a decisão de Moraes como uma “grave tentativa de silenciamento”. Segundo ele, o ex-presidente petista recebeu “centenas de visitas” e manteve diálogo político ativo enquanto cumpria pena.

Marinho acrescentou que declarações internacionais já apontam falta de imparcialidade do ministro nos processos que envolvem o ex-chefe do Executivo.

Reação governista

Do lado petista, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) contestou a comparação feita por Moro. Para o parlamentar, não existia proibição de comunicação na sentença que levou Lula à prisão. Ele ainda afirmou que a leitura da recente “carta aos brasileiros”, atribuída a Jair Bolsonaro, buscava “recolocá-lo no centro da campanha”, e que a estratégia “fracassou”.

Encaminhamento ao Ministério Público Eleitoral

Além de barrar as visitas, Moraes encaminhou a decisão ao Ministério Público Eleitoral (MPE) ao avaliar que a divulgação da carta pode configurar propaganda eleitoral antecipada.

Defesa de Flávio Bolsonaro

A defesa do senador, representada pelo advogado Tracy Reinaldet, diz que a restrição viola direitos de preso e do advogado, já que Flávio está listado como defensor do pai. Reinaldet argumenta que a medida contraria precedentes do próprio STF e anunciou que adotará “todas as providências cabíveis”.

Flávio Bolsonaro tem 48 horas para explicar ao Supremo o suposto descumprimento da decisão que vedou a leitura pública da carta. Em caso de nova infração, Moraes admite a possibilidade de transferência do ex-presidente para unidade prisional.

As visitas familiares permanecem suspensas até outubro, prazo em que o STF deverá reavaliar o caso.

Com informações de Gazeta do Povo