Brasília — Documento elaborado por comissão do Senado indica que, um ano após a declaração de emergência sanitária, a atuação governamental na Terra Indígena Yanomami continua marcada por falhas graves em saúde, segurança e logística.
Dependência de aviões compromete atendimento médico
De acordo com o relatório, 98% dos atendimentos de saúde aos Yanomami exigem transporte aéreo. A escassez de aeronaves e as condições climáticas instáveis da Amazônia resultam no cancelamento de quase metade das consultas especializadas.
Também permanece paralisada a reforma da principal Casa de Saúde Indígena em Roraima (CASAI-Y), após a empresa responsável abandonar a obra.
Garimpo amplia riscos de doenças
A mineração ilegal não só gera violência como favorece a proliferação de doenças. As cavas abertas pelo garimpo acumulam água parada, virando criadouros de mosquito da malária. Os casos de malária e coqueluche seguem altos, agravados pela baixa cobertura vacinal na região.
Alimentação e educação interrompidas
Falhas na logística afetaram a segurança alimentar: a entrega de cestas básicas foi reduzida ou suspensa em vários períodos. Na área educacional, mudanças na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e problemas de transporte deixaram comunidades inteiras sem aulas e sem merenda escolar, afetando polos como Olomai e Mucajaí.
Deslocamento para sacar benefícios
Sem agências bancárias dentro do território, famílias Yanomami precisam viajar até cidades próximas para sacar o Bolsa Família. O trajeto as expõe à violência urbana e a golpes, como retenção de cartões e exploração financeira.
Dificuldades para punir crimes ligados ao garimpo
O sistema de Justiça enfrenta obstáculos práticos. O prazo de 24 horas para audiências de custódia torna-se inviável quando o mau tempo impede o transporte de presos da selva para a cidade, resultando em liberações. Além disso, investigações contra o crime organizado costumam levar mais de dez anos, reduzindo o efeito dissuasório da punição.
O relatório conclui que, sem resolver os entraves logísticos e reforçar a presença do Estado, a crise humanitária na Terra Indígena Yanomami tende a persistir.
Com informações de Gazeta do Povo