Brasília – A Polícia Federal investiga se gravações de conteúdo sexual feitas em festas promovidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro foram usadas para pressionar ou chantagear autoridades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O material foi apreendido em celulares e discos rígidos ao longo da Operação Compliance Zero, deflagrada desde 2025.
Material pode se tornar peça-chave
Segundo fontes ligadas ao inquérito, os vídeos só passarão ao centro da apuração caso fique comprovado que serviram para garantir proteção institucional ao Banco Master, liquidado em 2025, ou que foram financiados com recursos públicos desviados de fundos de previdência estaduais, municipais ou do INSS. Até o momento, os arquivos permanecem sob sigilo judicial e têm acesso restrito para reduzir o risco de vazamentos.
Festas de luxo e possíveis ilícitos
Os encontros, realizados no Brasil, nos Estados Unidos, em Portugal e no Reino Unido, reuniam políticos, magistrados, empresários, bebidas premium, charutos exclusivos e acompanhantes estrangeiras. A PF também apura suspeitas de exploração sexual e tráfico de pessoas, já que mulheres do Leste Europeu teriam sido levadas em aeronaves do próprio empresário.
Defesa nega chantagem
Advogados de Vorcaro alegam que as reuniões tinham caráter privado entre adultos e não buscavam influenciar decisões públicas. Ainda assim, investigadores examinam se participantes foram constrangidos a sustentar politicamente o banco ou interesses do ex-banqueiro.
Garotinho relata “festa das astronautas”
O tema voltou ao noticiário após o ex-governador fluminense Anthony Garotinho afirmar ter assistido a um vídeo de 12 minutos em que autoridades surgem nuas ao lado de mulheres usando capacetes semelhantes aos de astronautas. O evento descrito teria ocorrido em Nova York em 2024, mas há indícios de que festas semelhantes ocorreram no Brasil e em outros países.
Delações rejeitadas
Preso desde março de 2026, Vorcaro apresentou duas propostas de colaboração premiada à PF e à Procuradoria-Geral da República; ambas foram recusadas, pois investigadores consideraram que os fatos relatados já estavam documentados.
Operação segue em nove frentes
A Compliance Zero contabiliza nove fases, com prisões, buscas contra políticos e análise de desvios bilionários. O ministro do STF André Mendonça, relator do caso, suspendeu o acesso a parte dos dados após suspeita de vazamentos seletivos.
As investigações prosseguem para esclarecer se os registros íntimos configuraram instrumento de chantagem institucional e se o financiamento das festas envolveu dinheiro público.
Com informações de Gazeta do Povo