Assunção / Paris – A senadora paraguaia Celeste Amarilla, 61 anos, protagonizou uma troca de ofensas públicas com o atacante francês Kylian Mbappé depois da vitória da França por 1 a 0 sobre o Paraguai, no sábado (4), na Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá.
Provocação em campo desencadeia conflito
O episódio começou quando, após converter o pênalti que decidiu a partida, Mbappé provocou o goleiro paraguaio Orlando Gill. Ao fim do jogo, o francês ignorou o cumprimentou de Gill, que reagiu arremessando a bola nas costas do adversário.
Ofensas da senadora nas redes
Indignada, Amarilla recorreu ao X (antigo Twitter) para atacar o jogador. Escreveu que Mbappé seria “um bruto”, “camaronês colonizado que finge ser francês”, “rancoroso, novo-rico, arrogante e feio”, além de outras ofensas. Também aconselhou Gill a mostrar o dedo do meio ao francês, alegando que faz o mesmo no Senado “e não acontece nada”.
Resposta de Mbappé e acusação de violência de gênero
Pelo mesmo canal, o camisa 10 rebateu: “Senhora Celeste Amarilla, a senhora é uma mulher desprezível e indigna do seu cargo. A senhora não representa o Paraguai”. A senadora classificou a resposta como violência de gênero, exigiu um pedido de desculpas e ameaçou processá-lo.
Investigação na França
Na terça-feira (7), o Ministério Público de Paris confirmou a abertura de investigação contra Amarilla por suposto discurso de ódio on-line, após denúncia apresentada pela Federação Francesa de Futebol (FFF).
Trajetória política de Celeste Amarilla
Filiada desde 1982 ao Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), principal força de oposição ao governista Partido Colorado, Amarilla é formada em Direito e atuou em órgãos públicos antes de entrar para o Legislativo. Foi deputada pelo distrito Capital entre 2018 e 2023 e, desde então, ocupa uma cadeira no Senado.
Em 2020, seu mandato na Câmara foi suspenso por 60 dias, sem salário, após declarar que “entre 60% e 70%” dos parlamentares teriam comprado seus assentos. Este ano, confrontou o presidente do Congresso, Basilio Núñez, cobrando a apresentação do diploma de medicina dele — episódio que ganhou destaque em meio às denúncias de diplomas universitários falsos no país.
Reações internas
Núñez e o governo do presidente Santiago Peña repudiaram as declarações de Amarilla sobre Mbappé. A senadora chamou a postura do Executivo de “submissa”.
Amarilla foi casada com Franklin Anki Boccia, histórico líder do PLRA e opositor da ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989), falecido em 2015.
A investigação em Paris prossegue sem prazo divulgado para conclusão, enquanto a senadora mantém a exigência de retratação por parte do astro francês.
Com informações de Gazeta do Povo