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Avanços de Kiev fazem Trump rever posição e sinalizar apoio militar à Ucrânia

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Washington — Quase um ano depois de classificar a Ucrânia como provável derrotada na guerra contra a Rússia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a indicar disposição para reforçar o apoio a Kiev, segundo líderes europeus e autoridades ucranianas.

Mudança após encontro com Putin

Em agosto de 2025, durante cúpula em Anchorage, no Alasca, Trump se reuniu com o presidente russo, Vladimir Putin, e, na ocasião, pressionou o governo de Volodymyr Zelensky a reduzir o efetivo militar e até a ceder partes do território que Moscou não conquistara. Agora, porém, o cenário mudou.

Nos últimos meses, as Forças Armadas ucranianas realizaram ataques de longo alcance contra alvos russos em São Petersburgo, Moscou e até na Sibéria. Bombardeios a refinarias prejudicaram a produção de petróleo da Rússia, que também enfrenta dificuldades para repor baixas no front.

Dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) mostram ganho territorial líquido para Kiev entre dezembro de 2025 e maio de 2026: enquanto tropas russas avançaram sobre 40,64 km², perderam 281,1 km² no mesmo período.

Percepção europeia

Durante entrevista à emissora France 2 após a cúpula do G7, realizada em junho na França, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que os recentes êxitos de Kiev alteraram a visão da Casa Branca. “Trump chegou a Anchorage convencido de que a Ucrânia perderia e queria um acordo rápido. Agora percebe que aquelas previsões estavam erradas”, declarou.

Sinal verde para produção de Patriot

No mesmo encontro do G7, Zelensky informou ter recebido sinal positivo de Washington para obter licenciamento de fabricação dos sistemas de defesa antiaérea Patriot em território ucraniano. “Falta apenas a autorização final do presidente Trump. Todos os demais fabricantes já concordaram”, disse o líder ucraniano à agência RBC-Ukraine.

Ponto de virada em até nove meses

Para o brigadeiro-general Andriy Biletsky, fundador do Batalhão Azov e atual comandante do Terceiro Corpo de Exército da Ucrânia, os próximos seis a nove meses serão decisivos. “Precisamos melhorar posições estratégicas e negociar a partir da força, não da fraqueza”, disse à Reuters no fim de maio.

Análise militar brasileira

O coronel da reserva e analista militar Paulo Roberto da Silva Gomes Filho, colunista da Gazeta do Povo, ressaltou que a postura de Trump tem sido “imprevisível”, mas que o momento favorável a Kiev gera otimismo. Ele avalia que a produção dos mísseis Patriot seria “enorme ganho” para a defesa ucraniana, embora leve anos para se concretizar. Quanto a Putin, o especialista duvida de uma negociação “em posição de fraqueza”, o que poderia fragilizar o líder russo internamente.

A guerra, iniciada em fevereiro de 2022 com expectativa russa de rápida vitória, já afeta o cotidiano das grandes cidades do país, inclusive com filas em postos de gasolina e aumento de preços após ataques a refinarias.

Com informações de Gazeta do Povo