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Alemanha apresenta pacote de € 10 bilhões em cortes de impostos e afrouxa regras trabalhistas

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Berlim – O governo da Alemanha, comandado pelo chanceler Friedrich Merz, divulgou nesta quinta-feira (2) um pacote de reformas econômicas que combina redução de impostos, flexibilização de normas trabalhistas e medidas para simplificar a burocracia estatal.

Alívio fiscal a partir de 2027

O plano prevê um corte anual de cerca de € 10 bilhões no imposto de renda, válido a partir de 1º de janeiro de 2027. Segundo o Executivo, o benefício se concentrará em trabalhadores de baixa e média renda. Um casal com dois filhos e renda anual de € 60 mil poderá economizar mais de € 600 por ano.

Para compensar parte da perda de arrecadação, a alíquota máxima do imposto de renda passará de 45% para 47% para contribuintes de renda muito alta, informou o ministro das Finanças e vice-chanceler, Lars Klingbeil (SPD).

Mudanças no mercado de trabalho

Entre as alterações trabalhistas, o governo vai:

  • eliminar a possibilidade de apresentação de atestado médico por telefone, adotada na pandemia;
  • exigir atestado já no primeiro dia de afastamento por doença (hoje obrigatório apenas a partir do quarto dia);
  • permitir maior duração de contratos temporários sem necessidade de transformação em vínculos permanentes;
  • facilitar a demissão de empregados com salários mais altos;
  • autorizar horários mais amplos para cafés e padarias aos domingos e conceder incentivos fiscais a quem trabalha em feriados.

Menos burocracia para empresas

Para acelerar investimentos, o pacote reduz formulários e relatórios exigidos pelo Estado. Em determinados pedidos, se o órgão público não se manifestar em até quatro meses, a solicitação será considerada aprovada automaticamente.

Reforma da aposentadoria

Até o fim de 2026, o governo pretende implementar recomendações de uma comissão que incluem a criação de um pilar previdenciário baseado em investimentos. A partir de 2031, a idade mínima de aposentadoria poderá ser atrelada à expectativa de vida, podendo avançar além dos atuais 67 anos.

Repercussão

O presidente do Deutsche Bank, Christian Sewing, classificou as propostas como “ponto de partida importante” para recuperar a competitividade alemã. Já o sindicato Verdi criticou a exigência de atestado no primeiro dia de doença, avaliando que a medida demonstra “cultura de desconfiança”. A IG Metall apontou avanços e retrocessos, mas considerou a ampliação dos contratos temporários um “ataque” aos direitos trabalhistas.

O pacote surge em meio à estagnação econômica e à crescente popularidade do partido nacionalista Alternativa para a Alemanha (AfD), semanas antes de eleições regionais no leste do país.

Com informações de Gazeta do Povo