Luque (Paraguai) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (30) que pretende disputar um novo mandato “para garantir que o Brasil continue democrático”. A declaração foi feita durante a 68ª Cúpula de Presidentes do Mercosul, realizada em Luque, cidade vizinha a Assunção.
Ao ler seu discurso diante dos demais chefes de Estado do bloco, Lula argumentou que a continuidade de seu governo seria uma forma de salvaguardar as instituições brasileiras. “Vou concorrer às eleições para garantir que o país se mantenha como um país democrático”, disse.
Pix como vitrine de inclusão financeira
Em meio a investigações de agências dos Estados Unidos que cogitam sobretaxar o Brasil por supostas práticas comerciais desleais, o presidente defendeu o sistema de pagamentos instantâneos nacional. Segundo ele, o Pix é “referência internacional de inclusão financeira e eficiência digital” e pode servir de modelo para uma infraestrutura de pagamentos comum no Mercosul, capaz de reduzir custos e ampliar o uso de moedas locais.
Críticas ao protecionismo e alerta sobre minerais críticos
Sem citar diretamente o ex-presidente norte-americano Donald Trump, Lula voltou a criticar políticas protecionistas e relacionou o tema à instabilidade gerada por guerras que elevam preços de alimentos e energia. Para o brasileiro, a fragmentação econômica global impõe “severos desafios ao comércio, aos investimentos e ao desenvolvimento sustentável”.
Ele também classificou a exploração de minerais estratégicos na América do Sul como questão de “segurança nacional e soberania”, defendendo cadeias produtivas que agreguem maior valor dentro da região.
Aporte de US$ 100 milhões ao FOCEM
Lula anunciou que o Brasil destinará US$ 100 milhões por ano ao Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM), principal mecanismo do bloco para diminuir disparidades entre os membros. A nova contribuição reverte proposta anterior que reduziria o fundo para cerca de US$ 30 milhões anuais, medida que encontrara resistência de Paraguai e Uruguai.
Na avaliação do presidente, o Mercosul “continua sendo o principal espaço institucional” em uma América do Sul “cada vez mais polarizada” e, por isso, deve ser protegido “acima de qualquer divergência ideológica”.
Com informações de Gazeta do Povo