Moscou, 28 jun. 2026 – O presidente da Rússia, Vladimir Putin, admitiu neste domingo (28) que o país enfrenta dificuldades no abastecimento de combustíveis depois da intensificação dos ataques ucranianos contra refinarias e outras instalações de energia.
Em entrevista à televisão estatal, Putin afirmou que as ações de Kiev “criam problemas” e resultaram em “certa escassez”, embora tenha dito que a situação “não é crítica”. A admissão pública é incomum, já que o Kremlin costuma evitar reconhecer impactos diretos da guerra sobre a população russa.
Refino reduzido e racionamento em 56 regiões
Segundo o jornal britânico The Guardian, os bombardeios de drones ucranianos já reduziram em cerca de 25% a capacidade de refino de petróleo da Rússia, provocando um déficit próximo de 15% no mercado interno. Levantamento de dados abertos citado pelo Moscow Times indica que pelo menos 56 regiões, incluindo Moscou, enfrentavam algum tipo de racionamento de combustível na semana passada.
A situação é mais grave na Crimeia. Autoridades locais limitaram o abastecimento para priorizar veículos militares, e Putin reconheceu que restavam apenas “alguns dias” de suprimento na península anexada em 2014. O Kremlin prometeu normalizar as entregas.
Medidas emergenciais
Para contornar a escassez, o governo russo pretende aumentar importações, acelerar reparos em instalações danificadas e reforçar as defesas aéreas contra drones. Em reunião com ministros e executivos do setor petrolífero, Putin também relatou longas filas em postos e dificuldade para encontrar determinados tipos de gasolina.
Kiev amplia alcance dos ataques
No mesmo domingo, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky declarou que forças de Kiev atingiram duas refinarias russas: uma na região de Krasnodar e outra em Yaroslavl, ambas a centenas de quilômetros da fronteira. Zelensky argumenta que cada ataque reduz os recursos que alimentam “a máquina de guerra do Kremlin”.
Durante congresso do partido Rússia Unida, Putin classificou as investidas ucranianas como “terroristas” e prometeu garantir a segurança dos cidadãos e a inviolabilidade das fronteiras russas. “A Rússia vai superar os desafios atuais”, disse.
Com informações de Gazeta do Povo