Brasília – Doze anos após receber a Copa do Mundo de 2014, o Brasil continua arcando com pesadas dívidas ligadas às arenas erguidas ou reformadas para o torneio. Oito dos 12 estádios usados no Mundial mantêm financiamentos ativos junto ao BNDES, somando R$ 232 milhões que comprometem recursos que poderiam ser direcionados a áreas como saúde e educação.
Quem já quitou e quem segue devendo
Entre as arenas construídas para a competição, apenas a Arena das Dunas (Natal), o Mineirão (Belo Horizonte) e a Neo Química Arena (São Paulo) não têm mais pendências com o BNDES. No caso do estádio paulistano, entretanto, a dívida foi transferida para a Caixa Econômica Federal. Para os demais Estados, os prazos de quitação se estendem até novembro de 2028.
‘Elefantes brancos’ pesam nos orçamentos estaduais
Estádios erguidos em regiões sem clubes de massa ou calendário de eventos consistente são conhecidos como “elefantes brancos”. A Arena da Amazônia, em Manaus, exemplifica o problema: orçada em R$ 499,5 milhões, custou R$ 757,6 milhões e gera gasto anual estimado em R$ 15 milhões com manutenção. Situação semelhante vive a Arena Pantanal, em Cuiabá, que exige cerca de R$ 4 milhões anuais do governo de Mato Grosso.
Parcerias público-privadas e garantias de retorno
Para tentar reduzir o peso financeiro, alguns Estados firmaram Parcerias Público-Privadas (PPPs). Muitos contratos, porém, asseguram rentabilidade mínima às concessionárias. Quando a arrecadação não cobre as despesas, o governo funciona como fiador e paga contraprestações mensais. No Rio Grande do Norte, o custo potencial da Arena das Dunas pode chegar a R$ 421 milhões até o fim do acordo. Em Pernambuco, a ruptura do contrato levou o Estado a assumir um prejuízo acumulado de R$ 42,7 milhões.
Casos de lucro e gestão por clubes
Arena sob responsabilidade de clubes tendem a apresentar melhor desempenho financeiro. Operado por Flamengo e Fluminense, o Maracanã registra resultados positivos devido ao alto fluxo de jogos. Em Porto Alegre, o Beira-Rio, controlado pelo Internacional, também é considerado lucrativo, apesar de perdas recentes causadas por enchentes. Já a Arena da Baixada, em Curitiba, teve os custos de reforma divididos entre o Athletico e o poder público após longa disputa judicial.
Mané Garrincha: a conta mais alta
O Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, é a arena mais cara da Copa, com investimento aproximado de R$ 2 bilhões, pagos integralmente pela estatal distrital Terracap. Recentemente, o governo do Distrito Federal concedeu a gestão do local à iniciativa privada. Para viabilizar a operação, o Banco de Brasília (BRB) comprou o naming rights por R$ 7,5 milhões; o contrato foi cancelado este ano em meio a reestruturação da instituição.
Com prazos de pagamento que chegam a 2028 e pouca perspectiva de incremento de receitas em algumas praças, a herança dos estádios do Mundial de 2014 segue pressionando os cofres estaduais e o orçamento da União.
Com informações de Gazeta do Povo