Brasília – O Partido Liberal (PL) e outras siglas de direita preparam uma nova ofensiva eleitoral para 2026, centrada em vereadores e comunicadores que conquistaram audiências milionárias nas redes sociais. O objetivo é ampliar a bancada conservadora na Câmara dos Deputados com rostos de até 30 e poucos anos, habituados a TikTok, Instagram e YouTube.
Domínio digital como marca registrada
Essa terceira leva de candidatos nasceu imersa no ambiente on-line e dialoga diretamente com seguidores sem depender da exposição na televisão. Lives, vídeos curtos e linguagem coloquial são a principal ponte com o eleitorado.
Da “onda Bolsonaro” à geração 2026
A primeira onda conservadora despontou em 2018, impulsionada pela eleição de Jair Bolsonaro. Quatro anos depois, a chamada “geração Gideão” – que teve Nikolas Ferreira como símbolo – chegou ao Congresso com discurso mais alinhado às pautas de costumes. Agora, dirigentes partidários enxergam a etapa mais coesa e organizada desse movimento, formada por quem acompanhou de perto o sucesso dos antecessores.
Nomes já cotados para a Câmara
Entre os pré-candidatos mais mencionados estão:
- Lucas Pavanato – vereador de São Paulo e o mais votado do país em 2024;
- Thiago Medina – vereador de Recife, com forte atuação on-line;
- Rony Gabriel – parlamentar municipal do Rio Grande do Sul, conhecido por denúncias de supostos esquemas financeiros;
- Eduarda Campopiano – vereadora de Praia Grande (SP);
- Silvio Navarro – jornalista que estreia como nome do União Brasil em São Paulo, alinhado ao grupo político da família Bolsonaro.
Fiscalização filmada rende votos
Vídeos de vistorias em hospitais, escolas e repartições públicas transformam fiscalização em conteúdo viral. O formato, popularizado por vereadores como Eduardo Moura (Recife), mostra cobranças em tempo real e gera engajamento, repetindo receita que tende a ser levada à campanha federal.
Alerta de especialistas
Para o cientista político Paulo Kramer, triunfos anteriores não garantem vitória futura. Ele aponta dois deslizes recorrentes: ignorar que as prioridades do eleitor evoluem e confiar exclusivamente no período oficial de campanha. Segundo Kramer, candidatos precisam mapear novas demandas – sobretudo em segurança pública – com bastante antecedência para manter vantagem competitiva.
As legendas de direita esperam que a combinação de popularidade digital e fiscalização ostensiva se converta em cadeiras adicionais na eleição de outubro de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo