Washington (EUA) — O jornalista brasileiro Paulo Figueiredo, que vive nos Estados Unidos desde 2019, depõe em 6 de julho ao Comitê da Seção 301 do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). No testemunho, ele solicitará que o governo norte-americano suspenda a proposta de impor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e, em vez disso, volte a aplicar sanções individuais amparadas na Lei Magnitsky.
Argumentos contra a tarifa
De acordo com o discurso preparado, Figueiredo defenderá que a sobretaxa afeta exportadores brasileiros, importadores e consumidores dos dois países, mas não atinge os responsáveis por supostas ordens de censura dirigidas a plataformas digitais e cidadãos americanos. Para o jornalista, a medida “puniria as vítimas e recompensaria os autores”, contrariando a estratégia hemisférica declarada por Washington.
Investigações em curso
A análise conduzida pela USTR examina políticas brasileiras relacionadas a comércio digital, propriedade intelectual, produção de etanol, desmatamento ilegal e combate à corrupção. O Brasil poderia ser alvo de tarifa geral de 25% se o processo avançar.
Risco de aproximação com a China
Figueiredo sustentará que a pressão tarifária empurra o Brasil para laços ainda mais estreitos com Pequim. Dados que ele apresentará indicam que o comércio Brasil–China alcançou US$ 171 bilhões em 2025, com o mercado chinês absorvendo cerca de um terço das exportações brasileiras redirecionadas após o início das tensões.
Impacto eleitoral
Com as eleições brasileiras marcadas para outubro de 2026, o jornalista argumentará que impor a tarifa às vésperas do pleito favoreceria o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que poderia explorar o tema sob a bandeira do patriotismo.
Sanções direcionadas
Como alternativa, Figueiredo pedirá a reativação de punições individuais, como congelamento de bens e restrições de visto previstas na Lei Magnitsky. Ele lembrará que tais medidas já foram aplicadas pelos Departamentos do Tesouro e de Estado dos EUA contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e familiares, mas foram suspensas em dezembro passado sem contrapartida do governo brasileiro.
Contexto pessoal
Figueiredo, que mantém interlocução com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e tem histórico de proximidade com o ex-presidente Donald Trump, foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por suposta coação no inquérito do Supremo sobre os atos de 8 de janeiro de 2023.
O depoimento junto à USTR ocorrerá em meio à investigação que poderá redefinir as relações comerciais Brasil–EUA.
Com informações de Gazeta do Povo