Lima – A Câmara Criminal Especial do Supremo Tribunal de Justiça do Peru condenou, nesta quinta-feira (25), o ex-primeiro-ministro César Villanueva a quatro anos de prisão por tráfico de influência, em processo vinculado às investigações sobre pagamentos ilegais da construtora brasileira Odebrecht.
O colegiado considerou que Villanueva, chefe de governo durante a gestão de Ollanta Humala (2011-2016) e governador da região amazônica de San Martín entre 2007 e 2013, instigou crime contra a administração pública ao tentar interferir em procedimentos judiciais que apuravam supostas propinas relacionadas à construção da rodovia San José de Sisa.
Além da pena de reclusão, o tribunal impôs ao ex-premiê a proibição de ocupar cargos públicos por cinco anos. A decisão só será executada após eventual confirmação em segunda instância.
Outros condenados
No mesmo julgamento, o ex-procurador-geral Alberto Rossel recebeu seis anos de prisão, o ex-procurador provincial Ronald Chafloque foi sentenciado a quatro anos e o empresário José Santisteban Zurita, a três anos.
Pressão sobre investigadores
De acordo com a acusação, em 2019 Villanueva procurou Rossel e Chafloque para pressionar o gabinete do procurador anticorrupção Germán Juárez, integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato no Peru, a agilizar um processo que o envolvia nos supostos pagamentos ilícitos da Odebrecht.
O tribunal ressaltou que aplicou a pena mínima prevista para o delito — cuja punição máxima chega a oito anos de prisão —, levando em conta a ausência de antecedentes criminais, os laços comunitários do réu e sua disposição de colaborar com a Justiça.
Após quase três horas de leitura da sentença, Ministério Público e Procuradoria-Geral manifestaram concordância com o veredito. As defesas dos réus anunciaram que irão recorrer “em todos os seus aspectos”.
Com informações de Gazeta do Povo