Brasília – O Ministério das Relações Exteriores elevou o tom, nesta quarta-feira (24), e classificou como “traidores da pátria” os responsáveis pela adoção de tarifas comerciais dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. A nota foi divulgada dois dias depois de o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), solicitar ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) participação na audiência pública marcada para 6 de julho.
Sem citar o parlamentar, o Itamaraty afirmou, em suas redes sociais, que “o Brasil sabe que o tarifaço tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na Justiça brasileira” e acrescentou que “os traidores da pátria não conseguirão reescrever a história”.
O ministério destacou que audiências públicas no âmbito da Seção 301, utilizada por Washington para investigar práticas comerciais de outros países, “são espaço de atuação do setor privado e da sociedade civil”. Segundo a pasta, parceiros relevantes dos Estados Unidos, como China e União Europeia, também não enviaram representantes a esse tipo de sessão.
Defesa brasileira
De acordo com o comunicado, o governo brasileiro já apresentou duas defesas escritas ao USTR demonstrando que as políticas nacionais não prejudicam o comércio bilateral. Além disso, realizou uma reunião de consultas governamentais em Washington com delegação de alto nível.
O Itamaraty acrescentou que participa da investigação “pelos canais diretos de interlocução entre governos” desde a abertura do processo, em 15 de julho de 2025, e cobrou “um pedido de desculpas” pelos prejuízos que as tarifas teriam causado “a milhares de brasileiros”.
Com informações de Gazeta do Povo