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Governo mantém isenção para importação de kits de carros elétricos e gera reação de montadoras

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A Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu, em reunião realizada nesta terça-feira (23), prorrogar por mais seis meses as cotas de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD). O limite autorizado soma US$ 463 milhões e permanecerá válido até o fim do novo período.

Segundo o governo, a medida está alinhada a iniciativas de descarbonização e de renovação da frota nacional. O principal efeito prático recai sobre a montadora chinesa BYD, que desde 2025 finaliza automóveis em sua fábrica de Camaçari (BA) a partir do modelo SKD, com os veículos chegando parcialmente montados ao país.

Reação do setor automotivo

A Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) classificou a decisão como concorrência desleal. Em nota, a entidade afirmou que o restabelecimento das cotas foi feito “sem consulta ao setor produtivo” e contrariou um cronograma definido pelo próprio governo, que havia encerrado o benefício em fevereiro de 2026.

Durante coletiva de imprensa na segunda-feira (22), véspera da reunião da Camex, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que estudava acionar a Justiça caso a isenção fosse mantida. Para a associação, o mecanismo vem sendo utilizado para reforço de estoques importados em detrimento da produção local.

Cronograma tarifário mantido para veículos montados

Apesar da extensão do incentivo para kits CKD e SKD, o governo manteve o calendário de elevação do imposto de importação para veículos totalmente montados, que passa a 35% em julho deste ano.

Pressão de entidades e números do mercado

Desde julho de 2025, entidades empresariais e sindicais, lideradas pela Anfavea, vêm solicitando o fim da isenção. Em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes de Veículos Automotores (Sindipecas) argumentou que a regra ampliou de forma desigual as vendas de veículos eletrificados de origem estrangeira.

Dados da Anfavea indicam que os emplacamentos de veículos importados cresceram 17,4% nos primeiros cinco meses deste ano, atingindo 222,9 mil unidades. Os modelos provenientes da China avançaram 86,6% no mesmo intervalo.

Expansão da BYD no Brasil

O desempenho da BYD reforça a preocupação das montadoras tradicionais. As vendas da empresa saltaram de 260 unidades em 2022 para 21.704 em maio deste ano — expansão de 5.500%, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Com 8,5% de participação, a fabricante ocupa atualmente a quarta posição no ranking nacional de automóveis.

Levantamento do Google Trends mostra que, no primeiro semestre de 2024, as buscas pelo nome da marca superaram quase todos os principais concorrentes. Nos últimos 30 dias, o interesse por BYD foi mais que o dobro do registrado para Chevrolet e Hyundai, ficando atrás apenas da Fiat.

Com informações de Gazeta do Povo