A violência e a pressão para que cristãos abandonem a fé atingiram novos patamares na Índia, segundo a ONG Portas Abertas. Famílias inteiras têm recebido ultimatos para regressar a credos tradicionais, como o hinduísmo, e ao menos três pastores foram mortos em emboscada após participarem de um evento religioso, informa a entidade.
O secretário-geral da Portas Abertas Brasil e América Latina, Marco Cruz, declarou à Gazeta do Povo que a liberdade religiosa no país sofreu “deterioração consistente e progressiva” nos últimos anos, impulsionada pelo fortalecimento do nacionalismo hindu. O movimento defende que a identidade indiana esteja intrinsecamente ligada ao hinduísmo, restringindo o espaço de outras crenças.
Pressão cotidiana e ataques diretos
De acordo com Cruz, a perseguição vai além da violência física, que inclui agressões, interrupções de cultos e ataques a templos. Em muitas regiões rurais, cristãos são rejeitados por vizinhos, perdem acesso a recursos básicos e sofrem tentativas de coerção para retornarem à religião de origem. “Esse tipo de pressão social tornou-se um dos pilares da perseguição”, afirmou.
Leis anticonversão ampliam vulnerabilidade
Embora a Constituição indiana garanta liberdade religiosa, relatórios citados pela ONG apontam falhas — e até conivência — de autoridades locais na proteção de minorias. As leis anticonversão, presentes em diversos estados, são apontadas como principal instrumento formal de repressão. Por serem vagas, permitem que práticas corriqueiras, como reuniões de oração ou ações sociais, sejam tratadas como tentativa de conversão forçada.
Alguns estados exigem que qualquer mudança de religião seja comunicada previamente ao governo, o que expõe o indivíduo a riscos adicionais. Além disso, terceiros podem registrar denúncias sem apresentar provas imediatas, abrindo caminho para investigações, prisões e episódios de violência coletiva.
A Portas Abertas classifica a Índia entre os contextos mais desafiadores do mundo para minorias religiosas e observa que a perseguição se tornou “socialmente aceitável” em diversas localidades, dificultando a reversão do quadro.
Com informações de Gazeta do Povo