Um consenso incomum entre os grupos do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e do senador Jaques Wagner (PT) transformou o escândalo envolvendo o Banco Master em assunto proibido na corrida eleitoral baiana de 2026.
Como surgiu o pacto
Segundo fontes próximas às duas legendas, a negociação foi costurada nos bastidores para evitar que a investigação da Polícia Federal (PF) sobre supostas fraudes e pagamentos ilícitos no sistema financeiro seja usada como munição eleitoral. Outros temas seguem liberados para debate, mas qualquer referência ao caso Master permanece vetada nas equipes de comunicação de ambos os candidatos.
Investigações sobre Jaques Wagner
Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para apurar corrupção e lavagem de dinheiro. A suspeita é que o senador teria recebido vantagens como um apartamento de luxo e repasses de R$ 3 milhões por meio de empresa ligada a familiares, em troca de apoio a projetos de lei que beneficiariam o Banco Master no Congresso Nacional. O parlamentar admite ter conhecido o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, mas afirma que a relação é “praticamente zero”.
R$ 5 milhões a ACM Neto
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mencionam o recebimento de R$ 5 milhões por ACM Neto provenientes do Banco Master e de uma gestora parceira. O ex-prefeito nega irregularidades e sustenta que os valores correspondem a serviços de consultoria prestados após deixar a administração municipal. Diferentemente de Wagner, ele não foi alvo da etapa mais recente da operação policial.
Papel de Daniel Vorcaro
Vorcaro, controlador do Banco Master, é apontado pelos investigadores como peça central de um esquema que teria movimentado cifras bilionárias. Mensagens examinadas pela PF indicam tentativas de aproximação do banqueiro com políticos influentes para destravar negócios e emendas parlamentares de interesse da instituição.
Impacto nacional
O silêncio combinado tem repercussão além do território baiano. Wagner lidera o governo do presidente Lula no Senado, e o caso também é citado em meio a privatizações conduzidas pelo ex-governador da Bahia e atual ministro Rui Costa. A abrangência das apurações — que vão de contratos de consultoria a suspeitas de corrupção ativa e passiva — ajuda a explicar a estratégia conjunta de manter o tema fora dos palanques.
Com o pacto em vigor, o escândalo do Banco Master permanece ausente dos debates públicos na Bahia, apesar de envolver figuras centrais da política estadual e nacional.
Com informações de Gazeta do Povo