Brasília – O Partido dos Trabalhadores saiu em defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) depois de ele ser alvo principal da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira, 18 de junho de 2026. A investigação apura suposto favorecimento ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master.
Em nota assinada pelo presidente nacional da sigla, Edinho Silva, o PT declarou “total confiança” na inocência do líder do governo no Senado e afirmou que Wagner “esclarecerá todos os fatos”. O senador ainda não se manifestou publicamente.
Suspeitas da investigação
De acordo com a PF, Wagner teria atuado no Senado como interlocutor dos interesses do Banco Master por meio do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro e também investigado. Entre os temas discutidos estariam:
- negociação de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB);
- a chamada “Emenda Master”, que elevou o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC);
- mudanças na legislação do crédito consignado.
Relatório da PF, citado pelo ministro André Mendonça no despacho que autorizou a operação, aponta indícios de que empresas ligadas à família de Wagner teriam recebido R$ 3,5 milhões em propina, além de um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,45 milhões em Salvador, viagens em jatinhos e ingressos para evento musical em Los Angeles. Também foram apreendidos US$ 49 mil em dinheiro vivo em um flat usado pelo senador.
Reações dentro do partido
O Diretório Estadual do PT na Bahia divulgou comunicado reafirmando “plena confiança” no parlamentar e lembrando que ele “já foi acusado injustamente inúmeras vezes”. A bancada do PT no Senado defendeu o respeito ao devido processo legal e disse ter “convicção” de que Wagner demonstrará a correção de sua conduta.
Segundo o ministro Mendonça, mensagens obtidas pela PF indicam que o senador mantinha contato frequente com representantes do Banco Master, não se limitando a receber informações, mas atuando como “interlocutor relevante” em assuntos considerados estratégicos para o grupo financeiro.
A Operação Compliance Zero investiga desde 2024 um esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. A atual fase concentra-se em possíveis vantagens indevidas concedidas a agentes públicos para alterar normas no Congresso e viabilizar negócios da instituição.
Wagner lidera o governo no Senado desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até o momento, o Palácio do Planalto não divulgou posicionamento sobre a operação.
Com informações de Gazeta do Povo