O Pew Research Center identificou aumento consistente nas tensões religiosas ao redor do mundo. Levantamento referente a 2023 mostra que 55 nações registraram níveis altos ou muito altos de hostilidade social ligada à religião, dez a mais que no ano anterior. Trata-se do terceiro crescimento anual consecutivo, ainda abaixo do pico de 65 países anotado em 2012.
Segundo os pesquisadores, o avanço se deve a diversos fatores, entre eles o recrudescimento de agressões contra minorias religiosas e os reflexos globais do ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro, e do conflito subsequente em Gaza.
Dois indicadores medem a liberdade de culto
O estudo abrange 198 países e territórios e utiliza dois parâmetros:
- Índice de Restrições Governamentais (GRI) – avalia leis, políticas e ações estatais que limitam a liberdade religiosa;
- Índice de Hostilidades Sociais (SHI) – mensura assédio e violência praticados por indivíduos, organizações ou grupos extremistas.
Cristãos e muçulmanos lideram lista de vítimas
A pesquisa registrou episódios de assédio contra cristãos em 165 países. Muçulmanos sofreram perseguição em 143 nações, enquanto judeus foram alvo em 98 – oito a mais que em 2022.
Formas de violência física envolvendo religião ocorreram em 151 países, acima dos 145 do ano anterior. Danos a propriedades religiosas foram a ocorrência mais comum, presente em 120 países, com destaque para a Europa, onde 78% dos Estados relataram esse tipo de incidente. Também houve agressões físicas em 96 países e assassinatos motivados por crença em 48.
Restrições estatais permanecem perto do recorde
Em 2023, 58 países apresentaram níveis altos ou muito altos de restrições governamentais – apenas um a menos que o recorde de 59, em 2022. Casos de perseguição oficial a grupos religiosos apareceram em 185 países, e a interferência em cultos alcançou novo topo, afetando 175 países e territórios. Entre as limitações observadas estão negativas de licenças para templos, imposição de regras a funerais e restrições a objeções de consciência ao serviço militar.
O Pew estima que cerca de 78% da população global vive em países com altos índices de restrições governamentais, hostilidades sociais ou ambos. China, Irã, Afeganistão, Indonésia, Síria e Uzbequistão figuram entre os que apresentam as restrições estatais mais severas.
Tendências regionais
O Oriente Médio e o Norte da África mantiveram o maior nível mediano de restrições governamentais, com aumento também nas hostilidades sociais. A Europa registrou alta em ambos os indicadores, enquanto a África Subsaariana foi a única região com queda geral, embora a Nigéria siga com o maior índice de hostilidade social do mundo.
Maiores e menores pontuações entre países populosos
Entre as 25 nações mais populosas, Índia, Egito, Paquistão, Irã e Indonésia apresentaram os maiores níveis combinados de restrições governamentais e hostilidades sociais. Na outra ponta, África do Sul, Estados Unidos, Japão, Filipinas e Reino Unido registraram os menores índices combinados.
Países que subiram de categoria
Seis países alcançaram patamar “muito alto” de hostilidades sociais em 2023: Nigéria, Israel, Índia, Paquistão, Síria e Bangladesh. Israel e Bangladesh ingressaram nesse grupo durante o ano. A pontuação israelense subiu de 7,1 para 8,4 após os eventos de 7 de outubro; já Bangladesh avançou de 6,1 para 7,8 em razão de ataques violentos contra muçulmanos Ahmadi que deixaram dois mortos e destruíram residências, uma mesquita e uma clínica.
Doze países migraram para o nível “alto” de hostilidade social, entre eles Bélgica, Noruega, Rússia, Espanha e Suécia. Também entraram na lista Turquia, Tailândia, República Democrática do Congo, Sudão e Guatemala. Na Espanha, o índice passou de 2,8 para 3,7, impulsionado por agressões a Testemunhas de Jeová, um ataque com facão a duas igrejas em Algeciras e aumento de episódios antimuçulmanos e antissemitas pós-7 de outubro. Na Noruega, a elevação de 3,2 para 4,2 decorreu de ataques físicos a Testemunhas de Jeová e de crescimento de discursos de ódio contra judeus e muçulmanos.
No Sudão, o SHI saltou de 3,5 para 5,7, reflexo do conflito entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido, que mirou cristãos coptas, ocupou locais de culto como bases militares e impôs conversões forçadas.
Com informações de Folha Gospel