San Salvador – 18 de junho de 2026. Dois anos após iniciar seu segundo mandato, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, anunciou uma nova frente de atuação: o combate à corrupção em órgãos públicos e empresas privadas, prometendo punições severas para fraudes e sonegação.
Lei Anticorrupção endurece penas e amplia fiscalização
A norma aprovada pelo Congresso determina a divulgação obrigatória dos bens de servidores e seus familiares, aumenta as penas para crimes cometidos por meio de “laranjas” e cria o Centro Nacional Anticorrupção. Instalado dentro do Ministério Público, o órgão utilizará ferramentas de inteligência financeira e tecnologia de rastreamento para identificar movimentações suspeitas de autoridades.
Reestruturação municipal reduz de 262 para 44 prefeituras
Paralelamente, entrou em vigor a Lei Especial de Reestruturação Municipal, que concentrou os 262 municípios salvadorenhos em apenas 44 a partir de 2024. O governo argumenta que a medida facilita a fiscalização, diminui gastos públicos e limita possibilidades de desvio de verbas em administrações locais menores.
Críticas por estado de exceção prolongado
Organizações de direitos humanos alertam que El Salvador vive há quatro anos sob estado de exceção, com denúncias de encarceramento em massa sem amplo direito de defesa. Entidades internacionais também apontam enfraquecimento democrático e falta de transparência, agravados pela expulsão de missões estrangeiras de verificação.
Aprovação externa e influência regional
A postura de “tolerância zero” de Bukele recebeu elogios de figuras como o ex-presidente norte-americano Donald Trump e inspira medidas de segurança adotadas pelos presidentes Javier Milei, na Argentina, e Daniel Noboa, no Equador.
Limites para replicar o modelo no Brasil
Especialistas ouvidos destacam diferenças estruturais que dificultam a aplicação do método salvadorenho no Brasil. Enquanto El Salvador tem área comparável ao estado de Sergipe, o território brasileiro é muito maior e conta com polícias estaduais e Judiciário autônomo. Além disso, facções como PCC e Comando Vermelho atuam em redes mais complexas do que as quadrilhas territoriais salvadorenhas.
Com a nova legislação, o governo salvadorenho busca manter o apoio conquistado com a queda da criminalidade, agora direcionando esforços para fechar brechas de corrupção no setor público e privado.
Com informações de Gazeta do Povo