Brasília, 18 de junho de 2026 – O Palácio do Planalto estuda acionar a Lei da Reciprocidade Econômica para reagir às sobretaxas anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros sob a alegação de uso de trabalho escravo. A medida, aprovada pelo Congresso em 2025, permite ao governo suspender investimentos, desprezar patentes ou elevar impostos sobre mercadorias originárias do país que impôs a barreira.
O impasse teve início após o Representante Comercial dos EUA (USTR) comunicar a aplicação de tarifas adicionais a exportações do Brasil. Washington sustenta que setores nacionais recorrem a mão de obra análoga à escravidão e adotam “atos onerosos” em áreas como comércio digital e etanol.
Especialistas alertam para efeito dominó
Analistas avaliam que uma retaliação pode elevar preços internos justamente em meio a inflação resistente e desaceleração da economia. Itens importados dos EUA – máquinas, produtos químicos e medicamentos, usados como insumos pela indústria brasileira – ficariam mais caros caso o Executivo incremente as alíquotas de importação, pressionando custos de produção e a competitividade externa das empresas nacionais.
Parlamentares recomendam cautela
Políticos de oposição e antigos aliados do governo defendem que a reciprocidade seja acionada apenas como último recurso. Nomes como Romeu Zema e Rogério Marinho sugerem intensificar a via diplomática para tentar um acordo com Washington antes de escalar a disputa comercial.
Tarifas americanas ainda não são definitivas
A decisão do USTR precisa de confirmação final da Casa Branca. Além disso, a política tarifária da administração Donald Trump é contestada judicialmente nos Estados Unidos. Produtos relevantes da pauta de exportação brasileira, entre eles carne bovina, café e alumínio, ficaram fora das sanções por ora.
Com informações de Gazeta do Povo