O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, trocaram farpas nesta quarta-feira (17/06/2026), logo após o encerramento da cúpula do G7 em Évian-les-Bains, França.
Trump fala em “Brasil conturbado”
Em entrevista coletiva, Trump afirmou ter ouvido que o Brasil “se tornou um pouco conturbado e perigoso politicamente”. Ele mencionou a suposta prisão de um candidato à Presidência — “Bolsonaro Jr.” — e disse que “eles jogam duro” nas disputas eleitorais. O republicano confundiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputa o Planalto, com o irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), condenado na véspera pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos de prisão em regime semiaberto e oito anos de inelegibilidade por coação no curso do processo.
Trump ainda reiterou a tese de fraude nas eleições americanas de 2020 e declarou que “ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos” em matéria eleitoral.
Lula reage e defende sistema de urnas eletrônicas
Em coletiva separada, Lula rebateu: “Não tem país no mundo com eleições mais tranquilas do que o Brasil”. O petista elogiou o sistema de urna eletrônica, lembrando que o resultado costuma ser conhecido “duas horas depois do fim da votação”.
“O presidente dos EUA pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto. Agora, não se meta nas eleições do Brasil”, afirmou Lula, acrescentando que os pleitos americanos “são problema deles”.
Relação bilateral atravessa novo atrito
Lula disse não ter solicitado reunião bilateral no G7 com o líder norte-americano, embora os dois tenham se cumprimentado rapidamente no evento. Segundo o brasileiro, “o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil”.
A tensão soma-se a recentes medidas de Washington, como a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas e a proposta de sobretaxa de até 25% sobre produtos brasileiros, sob alegação de práticas comerciais injustas.
Lula contou ter entregue a Trump um documento com propostas sobre o combate ao crime organizado, terras raras, minerais críticos e comércio: “O presidente Trump fala muito e ouve pouco; por isso entreguei tudo por escrito”.
A eleição presidencial brasileira está marcada para outubro, com Flávio Bolsonaro entre os principais adversários de Lula.
Com informações de Gazeta do Povo