Brasília — Documentos que estavam sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, financiou passagens aéreas, hospedagens e outros privilégios de alto padrão para o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), em troca de atuação política favorável ao grupo financeiro.
Como funcionava a troca de favores
Relatórios da Polícia Federal apontam que Vorcaro mantinha um esquema de “relação de benefícios mútuos” com parlamentares influentes. O banqueiro custeava despesas pessoais dos políticos, que, em contrapartida, apresentavam projetos ou defendiam pautas de interesse direto do Banco Master no Congresso Nacional.
Regalias concedidas a Ciro Nogueira
Segundo a investigação, o senador teve:
- Estadias em hotéis de luxo em Nova York;
- Jantares em restaurantes caros;
- Uso de aeronaves particulares;
- Disponibilização de um imóvel de alto padrão;
- Acesso ao cartão de crédito pessoal de Vorcaro durante viagens internacionais.
Após receber esses benefícios, Nogueira apresentou emendas legislativas que favoreciam o Banco Master, entre elas a chamada “Emenda Master”, protocolada em 2024 para alterar regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). De acordo com a PF, o texto foi redigido por assessores do banco e encaminhado ao senador antes da formalização no Senado.
Hospedagens e voos para Hugo Motta
Mensagens de WhatsApp mostram a organização de voos em jatos privados para o deputado Hugo Motta. A corporação também identificou o pagamento de cerca de R$ 20 mil em diárias de hotel em Lisboa, em junho de 2024. Motta declarou que participou de um evento jurídico tradicional e negou irregularidades no custeio.
Ameaças e tentativa de obstrução
Em inquérito paralelo, a PF investiga ameaças contra Joana Mourão, irmã de um ex-sócio de Vorcaro conhecido como “Sicário”. Após a morte do irmão, ela teria ameaçado revelar informações comprometedores sobre o banqueiro e, em resposta, recebeu vídeos de homens armados. Há indícios de que aliados de Vorcaro tentaram monitorar as apurações e silenciar testemunhas por meio de pagamentos.
O STF retirou o sigilo dos autos em 17 de junho de 2026, por decisão do ministro André Mendonça. As defesas de Ciro Nogueira e Hugo Motta ainda não se pronunciaram oficialmente sobre as novas revelações.
Com informações de Gazeta do Povo