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STF expõe despesas de luxo pagas pelo Banco Master a Ciro Nogueira e Hugo Motta

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta terça-feira (16 de junho de 2026) o sigilo de inquéritos que investigam a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e autoridades políticas. Relatórios enviados pela Polícia Federal (PF) ao magistrado apontam que Vorcaro custeou viagens, hospedagens e outros benefícios ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Benefícios a Ciro Nogueira

Segundo a PF, a ligação entre Vorcaro e Ciro Nogueira ia além da amizade pessoal e envolvia vantagens econômicas em troca de apoio legislativo aos interesses do Banco Master. Um dos principais indícios é a chamada “Emenda Master”, apresentada pelo senador em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Investigadores afirmam que a proposta foi redigida pela assessoria do banco, encaminhada a Vorcaro e, depois, levada ao Congresso pelo parlamentar.

Em contrapartida, o banqueiro teria arcado com estadias em hotéis de luxo em Nova York, refeições em restaurantes de alto padrão, voos privados, viagens internacionais, a cessão de um imóvel de alto valor e o uso de seu cartão de crédito para despesas pessoais do senador, inclusive durante deslocamentos fora do país.

Despesas atribuídas a Hugo Motta

Os relatórios também citam Hugo Motta em conversas de WhatsApp referentes à organização de voos em jatos particulares de Vorcaro. O deputado aparece ao lado de Ciro Nogueira em listas de passageiros e em grupos destinados à logística dos deslocamentos.

Em junho de 2024, Vorcaro solicitou reservas em um hotel de luxo em Lisboa para si, para Nogueira e para Motta. A PF localizou nota de cobrança de cinco diárias totalizando 3.155,71 euros — cerca de R$ 20 mil. Procurado, Motta disse encarar as apurações com “muita tranquilidade”, afirmou ter participado de um evento jurídico tradicional na capital portuguesa e negou irregularidades. Ele não é investigado formalmente.

Ameaças envolvendo a família de “Sicário”

Outro inquérito tornado público descreve ameaças de Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão — o “Sicário”, que se suicidou após ser preso na Operação Compliance Zero — contra a família Vorcaro. Em mensagens obtidas pela PF, Joana diz possuir informações capazes de “acabar” com os Vorcaro e relata ter recebido vídeos com fuzis acompanhados de avisos de morte contra ela e a mãe.

A corporação identificou negociações entre o bicheiro Manoel Rodrigues (“Manolo”) e Henrique Vorcaro, pai de Daniel, para transferir recursos à família de Sicário, supostamente a fim de evitar a divulgação dos dados. O relatório ainda menciona suspeitas de intimidação a ex-funcionários e tentativas de acesso a documentos internos da PF.

Ciro Nogueira e a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Com informações de Gazeta do Povo