Brasília – O ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT) afirmou apoiar a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas, posicionamento adotado recentemente pelo governo dos Estados Unidos.
Em entrevista ao jornal O Globo, divulgada na quinta-feira (11), Santana declarou que as facções “causam terrorismo no Brasil inteiro” e que “o que houver de pior para classificar esse pessoal, tem que classificar”. A fala contrasta com a posição oficial do Partido dos Trabalhadores, que discorda do enquadramento.
Logo após a Casa Branca anunciar a mudança, o Palácio do Planalto divulgou nota reconhecendo que o crime organizado provoca terror na população, mas rejeitou o uso do termo “terrorismo” para essas práticas. No comunicado, o governo citou a família Bolsonaro, criticou “falsos patriotas” e mencionou risco de intervenção estrangeira.
Parlamentares alinhados à decisão norte-americana argumentam que PCC e CV impõem medo por meio de violência armada e domínio territorial, o que justificaria a classificação para endurecer o combate. Já opositores da medida sustentam que o conceito de terrorismo exige motivação ideológica e atos simbólicos, inexistentes nas facções, cujo objetivo principal seria o lucro obtido com o controle de comunidades.
A divergência interna no PT passou a ser usada pela equipe do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para acusar o partido de leniência com o crime. O debate sobre segurança pública ganhou novo fôlego após a Operação Contenção, que enfrentou a expansão do CV em comunidades do Rio de Janeiro e resultou em 122 mortes, tornando-se a operação policial mais letal da história do país.
Com informações de Gazeta do Povo