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PT propõe PEC que eleva Pix à Constituição e mantém Banco Central sob controle político

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Brasília — O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), protocolou nesta quarta-feira (10) uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que transforma o Pix em garantia constitucional, sem estender o mesmo status à autonomia do Banco Central (BC).

O texto é uma versão isolada da PEC que tramitava no Senado atrelando a gratuidade do sistema de transferência instantânea à independência da autoridade monetária, combinação que dividiu a base governista. Na justificativa, Uczai afirma que dar ao Pix peso constitucional “blinda o serviço contra conjunturas passageiras e pressões externas”.

O que muda na Constituição

A proposta altera o artigo 192 da Carta Magna, acrescentando parágrafo que abrange todos os sistemas de pagamento operados pelo BC. O dispositivo determina que esses sistemas deverão:

  • promover soberania nacional, eficiência, universalidade e inclusão;
  • ficar livres de restrições impostas por tratados, acordos, sanções unilaterais ou negociações com governos estrangeiros.

Princípios para o Pix

No mesmo dia, o relator da PEC da autonomia do BC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, senador Plínio Valério (PSDB-AM), apresentou emenda que fixa quatro princípios específicos para o Pix:

  • gratuidade permanente para pessoas físicas;
  • infraestrutura sempre disponível;
  • eficiência, confiabilidade e qualidade do serviço;
  • segurança no combate a fraudes.

Disputa em torno da autonomia do BC

Enquanto reforça o discurso de valorização do Pix, o PT mantém oposição histórica à autonomia do Banco Central. Para a legenda, a definição da política monetária deve permanecer sob comando de autoridades eleitas.

Contexto internacional e guerra de narrativas

A movimentação ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) citar o Pix ao justificar possível tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A reação incluiu menção do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ao sistema norte-americano Zelle como argumento de negociação, o que gerou troca de acusações sobre eventual substituição do Pix.

Parlamentares de esquerda e veículos de imprensa passaram a afirmar que Eduardo sugerira trocar o Pix pelo Zelle, o que ele negou em vídeo com pedido de retratação. A polêmica reacendeu a associação do sistema de pagamentos instantâneos ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em meio à pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto.

Com informações de Gazeta do Povo