Artistas brasileiros que declararam voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizaram a residência oficial da Embaixada do Brasil em Roma como hospedagem gratuita, segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI). O grupo inclui a cantora Fafá de Belém, os escritores Marcelo Rubens Paiva e Aline Bei e a cantora Mônica Salmaso.
De 18 a 22 de maio de 2024, Fafá de Belém esteve na Itália para duas apresentações — uma na capital italiana e outra em San Marino. Os gastos da viagem, cobertos pelo Programa de Diplomacia Cultural do Itamaraty, somaram € 45.122, o equivalente a pouco mais de R$ 273 mil na cotação atual. A assessoria da artista confirmou que o montante engloba cachê e despesas logísticas.
Fafá mantém relação próxima com Lula desde os anos 1980, já declarou voto no petista em diferentes eleições e desfilou no Carnaval de 2026 em um enredo que homenageou o presidente. A cantora também interpretou o sucesso “Vermelho” ao lado de Lula na COP-27.
Além de Fafá, os escritores Marcelo Rubens Paiva e Aline Bei, bem como a cantora Mônica Salmaso, passaram pela representação diplomática brasileira na capital italiana. Bei informou ter viajado para divulgar a tradução italiana de seu livro e arcar com os próprios custos de deslocamento; a hospedagem ocorreu a convite do embaixador. Os demais não responderam aos pedidos de comentário.
O Ministério das Relações Exteriores esclareceu, em nota, que a residência do embaixador é considerada “casa do representante do Brasil” e, portanto, ele pode receber convidados, desde que isso não gere despesas adicionais ao erário. Segundo a pasta, personalidades e agentes públicos podem ser alojados “a título de apoio institucional” em ações de interesse público.
A recente estadia do humorista Fábio Porchat na mesma embaixada também foi citada. Porchat gravou um vídeo de Natal em 2025 nas dependências da residência oficial, hospedou-se a convite do embaixador Renato Mosca e custeou a própria viagem.
A iniciativa de tornar públicos os documentos que detalham as estadias partiu de pedidos via LAI e de um requerimento da vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil). O Itamaraty mantém o entendimento de que as viagens se enquadraram no Programa de Diplomacia Cultural.
Com informações de Gazeta do Povo