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Ex-presidente do BRB elabora delação que pode confrontar versão de Vorcaro

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O ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, preso desde 16 de abril, deve entregar nos próximos dias um esboço de acordo de colaboração premiada que pode contrariar depoimentos já oferecidos pelo ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Expectativa de informações detalhadas

Investigadores da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) aguardam que Costa apresente dados considerados mais consistentes do que as duas propostas encaminhadas por Vorcaro, ambas vistas como superficiais. A colaboração do ex-presidente do BRB é apontada como potencial caminho para rastrear recursos e recuperar ativos avaliados em bilhões de reais.

Foco no papel de Ibaneis Rocha

Entre os temas centrais da minuta está o suposto envolvimento do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha nas negociações para a compra do Banco Master pelo BRB. Interceptações telefônicas indicam que Costa teria sugerido a Vorcaro “alinhar o discurso” com Rocha diante de questionamentos sobre a transação, vetada pelo Banco Central em setembro de 2025.

Imóveis de luxo sob suspeita

A PF apura ainda a aquisição de seis imóveis de alto padrão em São Paulo, avaliados em quase R$ 150 milhões, que teriam sido oferecidos por Vorcaro a Costa como contrapartida para facilitar operações entre os bancos. Mensagens mostram o ex-presidente do BRB visitando os apartamentos com familiares e cobrando andamento das transferências.

Títulos inexistentes e rombo no BRB

Outro ponto que deve constar na delação é a compra, pelo BRB, de cerca de R$ 12 bilhões em produtos financeiros do Master. O que se supunha serem “títulos podres” revelou-se, segundo as investigações, títulos fraudulentos, causando prejuízo expressivo e atrasando a divulgação do balanço de 2025 do banco público.

Acareação indireta

Se homologadas, as versões de Costa e Vorcaro tendem a ser confrontadas para identificar contradições. Além de Costa, outros envolvidos — como parentes de Vorcaro — também podem firmar acordos.

Impasse na delação de Vorcaro

Enquanto isso, a segunda proposta de colaboração de Daniel Vorcaro continua sem aval da PF. O material entregue menciona o senador Ciro Nogueira e o financiamento do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não traz fatos inéditos. A decisão final caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

As negociações incluem eventual devolução de pelo menos R$ 60 bilhões por Vorcaro. O empresário já teve oito celulares apreendidos, e perícias apontam indícios de corrupção, organização criminosa e uso de estruturas paralelas para obter informações sigilosas.

Com informações de Gazeta do Povo