Companhia Brasileira de Tratores (CBT) chegou a liderar o mercado nacional nos anos 1970 e 1980, mas encerrou a produção em 1995 após sofrer com diversificação malsucedida, abertura de mercado e falta de capital.
Origem e expansão
Fundada pelo empresário Mário Pereira Lopes, a CBT instalou seu complexo industrial entre Ibaté e São Carlos, interior de São Paulo, dentro da política de substituição de importações. A partir da segunda metade do século XX, a marca ganhou força ao projetar tratores capazes de enfrentar solos duros, calor intenso e poeira do Cerrado, desafios que modelos importados não suportavam.
Entre 1970 e 1980, a empresa tornou-se referência ao entregar soluções focadas nas necessidades do produtor rural brasileiro. O resultado foram cerca de 111 mil tratores fabricados e distribuídos em todo o país até 1995.
A força do modelo 2105
Lançado em 1982, o CBT 2105 4×2 simbolizou a filosofia de robustez da companhia. Equipado com motor Mercedes-Benz OM-352 de seis cilindros e até 110 cv, o trator priorizava durabilidade e facilidade de manutenção. Pesando 3,8 t (5,3 t com lastro), puxava grades aradoras pesadas em terrenos hostis, conquistando fama que hoje mantém o modelo valorizado no mercado de usados.
Diversificação e perda de fôlego
Nos anos 1980, a administração investiu em novos projetos, como o avião agrícola CBT Tarpan e o jipe Javali, produzido de 1989 a 1994 em versões 4×2 e 4×4. O utilitário teve apenas cerca de mil unidades fabricadas, refletindo altos custos e competição acirrada.
A virada da década trouxe a abertura econômica do governo Fernando Collor, redução de tarifas de importação e bloqueio de liquidez. Sem crédito rural subsidiado, a demanda por tratores nacionais despencou, enquanto modelos estrangeiros chegavam com cabines climatizadas e tecnologia superior. A CBT, sem recursos para modernizar a linha de montagem, viu o faturamento ruir.
Falência e consequências
A produção foi interrompida em 1995. Em novembro do mesmo ano, a fornecedora Dani Condutores Elétricos Ltda. pediu a falência da empresa na comarca de São Carlos. A sentença foi decretada em 26 de março de 1997, abrindo massa falida que envolveu todas as empresas do grupo.
O fechamento resultou na demissão de 1.846 trabalhadores e em dívidas próximas de R$ 400 milhões, incluindo cerca de R$ 100 milhões com o BNDES. Ex-funcionários tentaram adquirir o maquinário em 1999 para reativar a fábrica, mas a falta de financiamento inviabilizou o plano. Parte dos imóveis acabou comprada pela TAM, que instalou um centro tecnológico e um museu aeronáutico.
Legado preservado
Três décadas depois, a marca segue cultuada em encontros de colecionadores e nas redes sociais. Eventos como o 4.º Encontro de Tratores CBT, realizado em Toledo (PR) em 2023, reúnem entusiastas atraídos pelo som característico dos motores a diesel que marcaram a história da mecanização agrícola brasileira.
Com informações de Gazeta do Povo