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Chefe da PF chama de “equívoco” decisão dos EUA sobre PCC e CV, mas vê chance para capturar foragidos

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O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, classificou como um “equívoco” a inclusão das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos. A medida norte-americana, anunciada no fim de maio, passou a valer oficialmente nesta sexta-feira, 5 de junho.

Em entrevista à TV Globo, Rodrigues argumentou que grupos terroristas agem por motivação ideológica, enquanto o crime organizado atua com foco no lucro. “A estratégia de enfrentamento é diferente para um grupo e para outro”, afirmou. Segundo ele, a decisão de Washington não altera as ações de combate ao crime no Brasil.

Apesar da crítica, o diretor vê na medida uma oportunidade de ampliar a cooperação bilateral. “Podemos fortalecer a troca de informações, bloquear o envio de armas para o Brasil e viabilizar a prisão de foragidos da Justiça brasileira nos Estados Unidos”, destacou.

Casos pendentes entre Brasília e Washington

Rodrigues citou a necessidade de capturar fugitivos como o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). Condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, Ramagem deixou o Brasil antes do fim do julgamento, em setembro de 2025, e vive em Miami desde então. O ministro Alexandre de Moraes declarou-o foragido em 25 de novembro, e o governo brasileiro já solicitou sua extradição.

O episódio provocou tensões recentes entre os dois países. Em abril, o governo Donald Trump expulsou o delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho, então oficial de ligação em Miami, acusado de tentar agilizar a repatriação de Ramagem. Dias depois, o Brasil retirou — e posteriormente devolveu — as credenciais de um oficial de imigração norte-americano lotado na sede da PF em Brasília. O Itamaraty também cancelou as credenciais e o visto de outro agente dos EUA, que retornou ao seu país.

Rodrigues disse esperar que a nova classificação imposta aos dois principais grupos criminosos brasileiros sirva para destravar ações conjuntas. “Se houver mais cooperação, ganhamos ferramentas adicionais para localizar e prender quem hoje se beneficia da distância geográfica”, concluiu.

Com informações de Gazeta do Povo