O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou nesta quarta-feira (3) que a exposição de dados sigilosos de investigações de grande repercussão, como o caso envolvendo o Banco Master, abre espaço para exploração política e ameaça a credibilidade das instituições. A declaração ocorreu no encerramento do 14º Fórum de Lisboa, apelidado de “Gilmarpalooza”.
Sigilo como regra
“Não há atuação eficiente sem respeito às regras de sigilo”, disse Gonet, acrescentando que “na Procuradoria-Geral da República não há vazamento de informações”. O comentário faz referência à sétima fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 19 de maio, que mirou um perito da Polícia Federal suspeito de entregar à imprensa dados sobre a suposta ligação entre Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ministro Alexandre de Moraes. O servidor foi afastado da função.
Além desse episódio, conversas pessoais de Vorcaro tornaram-se públicas. O ministro Gilmar Mendes atribuiu o vazamento a integrantes da CPMI do INSS, que tiveram acesso ao material confidencial. Em 26 de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou pedido para prorrogar os trabalhos da comissão; na ocasião, Gilmar advertiu parlamentares presentes sobre o caráter criminoso da divulgação.
Defesa da PEC da Segurança
Gonet também cobrou a votação da PEC da Segurança Pública, aprovada pela Câmara em março e parada no Senado há três meses. Segundo ele, “o ciúme institucional” entre órgãos de Estado impede ações coordenadas contra o crime organizado. “A União precisa liderar a proteção da vida, da propriedade e da tranquilidade pública”, afirmou.
Elogio a Alexandre de Moraes
Logo no início do discurso, o procurador-geral elogiou a atuação de Moraes na condução dos processos sobre os atos de 8 de janeiro de 2023 e a suposta tentativa de golpe de Estado. “Foi indispensável a atuação firme e talentosa do relator”, declarou, recebendo aplausos da plateia do evento.
Gonet encerrou reiterando que a PGR continuará “firme no propósito de combater toda a espécie de crime” dentro dos limites legais e com “máxima eficiência”.
Com informações de Gazeta do Povo