Lisboa (Portugal) – A 14ª edição do Fórum de Lisboa, apelidado de “Gilmarpalooza” por ser organizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, começou nesta segunda-feira (1º) com visível queda de autoridades brasileiras, reflexo direto da investigação que envolve o Banco Master.
Menos ministros do STF
Em 2025, cinco ministros do STF compareceram ao evento. Este ano, apenas dois integrantes da Corte confirmaram presença: o próprio Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Flávio Dino, que também participaria, cancelou na véspera após sofrer um acidente doméstico.
A crise foi deflagrada depois de a Polícia Federal encontrar menções ao ministro Dias Toffoli no celular de Daniel Vorcaro, dono do Master. Toffoli deixou a relatoria do inquérito, agora nas mãos de André Mendonça — que, mesmo presente no fórum em 2025, não viajou a Portugal desta vez. Também veio à tona um contrato de R$ 129 milhões entre o escritório da família de Moraes e o banco investigado. Em resposta às suspeitas, o presidente do STF, Edson Fachin, prometeu um Código de Ética para os magistrados da Corte.
Baixa no primeiro escalão do governo Lula
Seis ministros de Estado participaram do fórum no ano passado. Em 2026, o número caiu para três: Alexandre Silveira (Minas e Energia), Paulo Henrique Pereira (Empreendedorismo) e Wellington César Lima e Silva (Justiça). O advogado-geral da União em 2025, Jorge Messias, indicado por Lula ao STF e rejeitado pelo Senado, também ficou de fora.
Apenas um governador confirmado
A presença de chefes de Executivos estaduais encolheu de quatro para um. Só o governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), aceitou o convite — em 2025 palestraram Helder Barbalho (Pará), Mauro Mendes (Mato Grosso), Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).
Parlamentares contrariam tendência
Enquanto outras autoridades recuaram, o número de congressistas subiu de 16 para 18, segundo levantamento do portal Poder360. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), esteve na abertura. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não viajou.
STJ também reduz delegação
O Superior Tribunal de Justiça levou 11 ministros ao fórum, contra 17 no ano anterior.
Discurso de abertura
Na cerimônia que inaugurou os debates, Gilmar Mendes declarou que a regulação de plataformas digitais e de inteligência artificial “é condição para a preservação do regime democrático”. Citando o conceito de “tecnofeudalismo” do economista grego Yanis Varoufakis, o ministro alertou para o poder concentrado das big techs, que, segundo ele, transformariam cidadãos em “servos digitais”.
Apesar do esvaziamento, o decano minimizou as ausências, atribuindo o cenário ao ano eleitoral no Brasil. “O Fórum de Lisboa faz parte daquilo do Brasil que dá certo”, disse em entrevista antes do evento.
Com informações de Gazeta do Povo