São Paulo — A Polícia Civil deflagrou nesta segunda-feira (1º) a Operação Wi-Fi para investigar supostas irregularidades em um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido pela empresária Karina Ferreira da Gama, que também comanda a produtora de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O acordo, assinado para instalar pontos gratuitos de internet em comunidades da capital, foi inicialmente estimado em R$ 108 milhões. Aditivos posteriores elevaram o montante para R$ 157,1 milhões, dos quais pelo menos R$ 26 milhões teriam sido pagos sem a prestação efetiva do serviço, segundo as investigações.
Mandados e alvos da operação
Oito mandados de busca e apreensão, autorizados pela 1ª Vara Regional das Garantias, são cumpridos em endereços do ICB, da produtora Go UP Entertainment, ligados à presidente da entidade e na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT). A Secretaria de Segurança Pública paulista informou que também foram recolhidos contratos, prestações de contas e demais documentos relativos ao termo de colaboração.
Contrato único e sem histórico no setor
De acordo com os investigadores, o ICB foi o único participante do chamamento público aberto em 2024. Relatórios preliminares apontam que a entidade não possuía experiência prévia em telecomunicações, atuando principalmente em feiras literárias e eventos religiosos, o que levantou suspeitas de direcionamento na seleção.
O projeto previa a instalação de 5 mil pontos de Wi-Fi pelo programa municipal Wi-Fi Livre. Até maio deste ano, porém, apenas 3,2 mil estavam ativos, segundo a própria prefeitura.
Possível repasse à produtora do filme
A polícia também apura se recursos recebidos pelo ICB foram transferidos à Go UP Entertainment, responsável pela produção do longa sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Mensagens reveladas em maio pelo site The Intercept Brasil mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrando do banqueiro Daniel Vorcaro valores prometidos para financiar o filme.
Defesa da prefeitura
Em nota, a Prefeitura de São Paulo negou irregularidades, afirmou colaborar com as investigações e disse que todo o processo seguiu os princípios de legalidade, transparência e economicidade. A administração municipal acrescentou que o aditivo ao contrato destina-se apenas à manutenção dos 3,2 mil pontos instalados e que o custo mensal de R$ 1.280,80 por ponto é inferior aos valores ofertados em 2022.
O espaço permanece aberto para manifestação do Instituto Conhecer Brasil e da Go UP Entertainment.
Com informações de Gazeta do Povo