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Egito regulariza 191 igrejas, mas cristãos apontam obstáculos que vão além dos templos

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O governo do Egito autorizou a legalização de 191 igrejas e anexos cristãos que funcionavam sem reconhecimento oficial. Com a nova rodada de permissões, o total de templos aprovados desde a criação de um comitê específico em 2016 chega a 3.804, segundo a organização Christian Solidarity Worldwide.

Embora o número represente avanço para a comunidade cristã, o processo de construção ou regularização de locais de culto continua mais burocrático e restritivo do que o exigido para mesquitas sunitas. Minorias como ahmadis e xiitas também enfrentam barreiras significativas para erguer seus próprios espaços religiosos sob a lei de 2016.

Em declaração à International Christian Concern (ICC), um ativista copta celebrou a medida, mas lembrou que outras questões persistem. “Não se trata de um prédio, trata-se de liberdade”, afirmou, referindo-se a problemas como extremismo violento, falta de representatividade, discriminação educacional e pressão social.

No plano institucional, o governo tem restaurado igrejas e promovido reformas pontuais que sugerem inclusão. Ao mesmo tempo, reforça mecanismos de censura, vigilância e discriminação, segundo relatos de organizações de direitos humanos. Materiais escolares e a mídia estatal ainda reproduzem discursos de intolerância, deixando cristãos expostos à hostilidade social e a respostas lentas das autoridades.

A constituição egípcia reconhece a liberdade de crença, mas convertidos do islã ao cristianismo relatam forte pressão social, entraves legais e fiscalização policial. O Artigo 98(f) do Código Penal, que pune blasfêmia com até cinco anos de prisão, continua sendo usado para deter acusados por tempo indeterminado.

Entidades de defesa dos direitos civis defendem reformas mais profundas: revisão dos currículos escolares para estimular o respeito a minorias, aplicação efetiva de mudanças no estatuto pessoal, punição a responsáveis por sequestros e violência sectária, além da eliminação de barreiras burocráticas que dificultam o reconhecimento de identidades cristãs.

Com informações de Folha Gospel