O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux cobrou rapidez na definição de uma solução para socorrer o Banco de Brasília (BRB), alegando interesse direto do Poder Judiciário. A declaração foi feita em entrevista publicada nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026.
Relator do processo que discutia o futuro do banco, Fux atuava como mediador entre o Governo do Distrito Federal (GDF) e a União após o BRB ser abalado pelo escândalo do Master. Segundo Durigan, tribunais estaduais mantêm cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais na instituição, cifra estimada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A quebra do banco, alertou o ministro, poderia comprometer pagamentos determinados pela Justiça.
“O que me preocupa não é de onde vêm os depósitos, mas a autoridade do Judiciário que ficaria em xeque”, disse Durigan, citando conversa com Fux. O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) é o maior depositante, com valores que ultrapassam R$ 5 bilhões, de acordo com o CNJ.
Procurado, o STF informou que Luiz Fux não se manifestaria sobre a declaração do ministro da Fazenda.
Acordo para empréstimo
Na mesma entrevista, Durigan detalhou o acordo firmado entre GDF e governo federal para contratação de um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), respaldado por um consórcio de bancos públicos e privados. O aval permite ao Executivo distrital captar recursos equivalentes a até 16 % da receita corrente líquida.
O compromisso traz contrapartidas: enquanto a dívida não for quitada, o GDF está impedido de abrir concursos públicos ou conceder aumentos salariais a servidores.
Durigan destacou que a operação foi considerada essencial para assegurar a estabilidade do BRB e evitar impactos sobre o cumprimento de decisões judiciais.
Com informações de Gazeta do Povo