Rio de Janeiro – O ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL) anunciou nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, que não será mais candidato ao Senado. A retirada, comunicada ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, ocorre após o político virar alvo de duas operações da Polícia Federal ligadas ao caso Banco Master e a suspeitas de favorecimento à refinaria Refit.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Castro declarou que precisa “focar completamente” em sua defesa. “Minha família está passando momentos que eu jamais imaginei. Foram dias de dor, de exposição, de mentiras e de narrativas”, disse, chamando a decisão de “a mais difícil” de sua vida.
Investigação sobre investimentos da Rioprevidência
A situação do ex-governador se agravou com a oitava fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração aponta que Castro teria usado influência política para que a Rioprevidência aplicasse cerca de R$ 3,6 bilhões em operações de risco no Banco Master. Relatórios da PF indicam sincronia entre encontros de Castro com o banqueiro Daniel Vorcaro e os aportes do fundo de previdência estadual.
Para o STF, há “vínculo próximo” entre o ex-governador e o banqueiro, sugerindo que os investimentos dependiam de “alinhamento político”.
Suspeita de esquema fiscal em benefício da Refit
Uma semana antes, a Operação Sem Refino já pressionava Castro. A investigação apura suposto esquema de sonegação que teria concedido vantagens à Refit (antiga Refinaria de Manguinhos). Segundo a PF, “sob a batuta de Cláudio Castro”, a Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro teria favorecido a empresa, controlada por Ricardo Magro, apontado como maior devedor de tributos do país, com passivo de R$ 52 bilhões.
Os investigadores veem padrão de aproximações pessoais seguidas de decisões administrativas que beneficiavam grupos econômicos. Castro, porém, nega qualquer irregularidade e afirma confiar na Justiça. Seus advogados dizem ter apresentado defesas “robustas” e prometem novas petições para delimitar os atos de governo.
Ao relacionar os inquéritos ao clima pré-eleitoral, o ex-governador criticou o que chamou de destruição de reputações “simplesmente por uma busca incessante pelo poder”. Sem cargo eletivo desde o fim do mandato, ele agora concentra esforços na esfera judicial.
Com informações de Gazeta do Povo