Washington (EUA) – O governo do então presidente Donald Trump orientou procuradores do Departamento de Justiça (DOJ) em Miami a não avançarem com investigações criminais contra a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, revelou a agência Associated Press (AP) nesta quarta-feira (27).
Procurado pela AP, o DOJ respondeu que “nunca houve uma investigação” contra Rodríguez que pudesse ter sido encerrada. Apesar disso, registros da Administração de Combate às Drogas dos Estados Unidos (DEA) indicam que o nome da dirigente venezuelana está no radar das autoridades federais desde, pelo menos, 2018, embora ela jamais tenha sido formalmente acusada em território norte-americano.
Segundo fontes citadas pela AP, a ordem para arquivar qualquer apuração buscava evitar atritos que comprometessem a estratégia de Washington para estabilizar a Venezuela depois da captura do ex-presidente Nicolás Maduro. “Todos receberam ordens para se manter afastados”, relatou um ex-funcionário ouvido pela agência.
Contexto recente
Rodríguez assumiu o comando interino do país em janeiro, após uma operação militar dos EUA em Caracas que resultou na prisão de Maduro e da esposa dele, Cilia Flores, para responderem na Justiça norte-americana por acusações de narcoterrorismo.
Desde então, o governo chavista promoveu uma reaproximação com Washington: restabeleceu relações diplomáticas, firmou parceria de longo prazo no setor de energia e recebeu elogios públicos de Trump, que se recusou a apoiar a opositora María Corina Machado alegando falta de respaldo interno.
No início de abril, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA retirou Delcy Rodríguez da lista de sancionados, onde ela figurava desde 2018 por denúncias de corrupção e violações de direitos humanos.
A Associated Press não informou se há novas investigações em curso ou se a orientação do governo Trump permanece em vigor.
Com informações de Gazeta do Povo